A pré-candidatura presidencial de Ronaldo Caiado (União Brasil) com Gilberto Kassab (PSD) na vice-presidência enfrenta um racha interno no PSD em estados decisivos para a eleição de 2026, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia, onde diretórios estaduais da legenda podem não oferecer palanque à chapa. A falta de apoio local compromete o tempo de televisão e o fundo eleitoral da candidatura, enquanto Kassab, presidente nacional do PSD, afirma que o partido compreende as circunstâncias de apoios regionais e que “vive em harmonia”. A situação expõe as dificuldades de alianças nacionais em um cenário de fragmentação partidária e interesses regionais divergentes.
De acordo com fontes do PSD ouvidas pela CNN Brasil, a resistência é maior em estados onde o partido já tem candidaturas próprias ao governo ou alianças consolidadas com outras siglas. Em São Paulo, por exemplo, o PSD local sinaliza apoio à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o que inviabilizaria o palanque para Caiado. No Rio de Janeiro, a legenda negocia com o atual governador Cláudio Castro (PL), enquanto em Minas Gerais e Bahia os diretórios estaduais preferem manter alianças com o PT e o PSB, respectivamente. A ausência de palanques nesses estados reduz drasticamente a exposição da chapa presidencial e o acesso a recursos do fundo partidário, que são proporcionais ao número de candidatos majoritários lançados.
Impacto na viabilidade eleitoral
A falta de palanque local em estados como SP, RJ, MG e BA — que juntos concentram mais de 40% do eleitorado nacional — pode inviabilizar a candidatura de Caiado, que já enfrenta desafios para consolidar a centro-direita. A chapa pura-sangue com Kassab, anunciada em julho de 2024, foi vista como uma tentativa de unificar o campo conservador contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas o racha interno no PSD revela a dificuldade de conciliar interesses nacionais e regionais. Enquanto isso, outros pré-candidatos da centro-direita, como Romeu Zema (Novo) e Ratinho Junior (PSD), negociam alianças alternativas, ampliando a fragmentação do campo.
O cenário também afeta o tempo de televisão e o fundo eleitoral da chapa. Sem candidatos a governador nos estados-chave, a coligação nacional perde até 30% do tempo de propaganda obrigatória no rádio e na TV, além de milhões em recursos do fundo partidário. Especialistas apontam que, sem palanques locais, a candidatura de Caiado pode se tornar inviável, forçando o União Brasil a reavaliar a aliança com o PSD. A decisão final sobre o apoio dos diretórios estaduais deve sair até julho de 2025, quando os partidos definem as convenções.
Panorama político geral
O racha no PSD reflete um movimento mais amplo de reconfiguração das alianças partidárias para 2026. Enquanto a centro-direita tenta se unificar em torno de uma candidatura única, as disputas regionais e os interesses de governadores e prefeitos dificultam a coesão nacional. O PSD, que já foi um dos principais partidos de centro, agora enfrenta pressões internas para apoiar candidaturas locais em detrimento da chapa presidencial. A situação é agravada pela proximidade de Lula, que busca ampliar sua base de apoio no Congresso e nos estados, aproveitando as divisões da oposição. Para Caiado e Kassab, o desafio é convencer os diretórios estaduais a abrir mão de alianças locais em nome de um projeto nacional, o que, até o momento, parece improvável.
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