Os Estados Unidos inventaram o presidencialismo e difundiram-no quando o modelo parlamentarista ainda não havia se consolidado na Inglaterra, onde surgiu. Os 250 anos dos EUA servem para perguntar se sua exportação institucional foi uma boa ideia. Tocqueville reverenciou o modelo institucional do país em ‘A Democracia na América’ (1835). Mas a América aqui era a Nova Inglaterra, uma sociedade fortemente igualitária de camponeses livres, não o Sul escravocrata, que mais se parecia com o Brasil.

O presidencialismo, criado pelos EUA no final do século XVIII, foi amplamente adotado por diversas nações, especialmente na América Latina, como alternativa ao parlamentarismo europeu. No entanto, o contexto histórico e social de cada país influenciou diretamente os resultados desse modelo. Enquanto a Nova Inglaterra, descrita por Tocqueville, era uma sociedade igualitária e com forte participação cidadã, outras regiões, como o Sul escravocrata dos EUA, apresentavam estruturas sociais mais hierárquicas e desiguais, semelhantes às do Brasil colonial.

O debate sobre a eficácia do presidencialismo ganha força no aniversário de 250 anos dos EUA, com críticas apontando que o modelo pode gerar instabilidade política em países com forte polarização e fragilidade institucional. A análise sugere que a exportação do presidencialismo nem sempre considerou as particularidades locais, resultando em crises políticas e dificuldades de governança em diversas nações.

O contraste entre a visão idealizada de Tocqueville e a realidade de outras regiões dos próprios EUA, como o Sul escravocrata, levanta questionamentos sobre a universalidade do modelo. A comparação com o Brasil, que também adotou o presidencialismo, reforça a necessidade de avaliar criticamente a influência histórica e as consequências desse sistema político em diferentes contextos.

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