Mãe é detida em Sooretama após queimar as mãos do filho de 10 anos com colher quente como castigo

Uma mulher foi detida em Sooretama, no interior do Espírito Santo, após confessar que queimou as mãos do próprio filho, de 10 anos, com uma colher aquecida como forma de castigo. O caso, que chocou a comunidade local e reacendeu o debate sobre violência doméstica contra crianças, está sob investigação da Polícia Civil. A criança foi encaminhada para atendimento médico e, em seguida, para acolhimento institucional, enquanto a mãe aguarda os desdobramentos legais.

De acordo com informações da Polícia Civil, a mulher foi detida em flagrante após denúncia anônima. Durante o depoimento, ela confessou ter utilizado uma colher aquecida no fogão para punir o filho, causando queimaduras de segundo grau nas mãos da criança. O caso foi registrado como lesão corporal dolosa, e a mãe pode responder por crime de tortura, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê penas de reclusão de 2 a 8 anos.

Violência doméstica e proteção infantil

O episódio em Sooretama ocorre em meio a um cenário nacional de aumento de denúncias de violência contra crianças e adolescentes. Dados do Disque 100, canal oficial do governo federal para denúncias de violações de direitos humanos, indicam que, apenas no primeiro semestre de 2026, foram registradas mais de 120 mil denúncias de violência doméstica contra menores, um aumento de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior. Especialistas apontam que a pandemia de COVID-19 e o isolamento social agravaram situações de estresse familiar, elevando o risco de abusos.

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República reforçou, em nota, a importância de canais de denúncia e de políticas públicas de prevenção. “Casos como este são inaceitáveis e mostram a urgência de fortalecer a rede de proteção à infância”, afirmou a secretaria. Organizações não governamentais, como a Fundação Abrinq, também se manifestaram, cobrando ações mais efetivas do poder público para coibir a violência doméstica.

Panorama político e social

O caso de Sooretama ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre a eficácia das políticas de proteção à criança no Brasil. O país, que é signatário da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, ainda enfrenta desafios para implementar plenamente as diretrizes do ECA, que completa 36 anos em 2026. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que, em 2025, mais de 40 mil crianças estavam em situação de acolhimento institucional no Brasil, muitas delas vítimas de violência doméstica.

Parlamentares da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados anunciaram que vão propor uma audiência pública para discutir o fortalecimento das redes de proteção infantil. “Precisamos de mais investimento em programas de apoio às famílias e em campanhas de conscientização”, declarou o presidente da comissão. Enquanto isso, a Polícia Civil de Sooretama segue investigando o caso, e a criança recebe acompanhamento psicológico e médico.

A detenção da mãe em Sooretama é mais um triste capítulo na história da violência contra crianças no Brasil, mas também serve como alerta para a necessidade de ações coordenadas entre governo, sociedade civil e sistema de Justiça para garantir a proteção integral de meninos e meninas em todo o país.

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