O governo da Venezuela atualizou, neste domingo (26), o número oficial de mortos decorrentes da série de terremotos que atingiu o país nos últimos dias, elevando o total para 3.342 vítimas fatais. O novo balanço representa um aumento de 388 mortes em relação à última atualização, enquanto o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) alerta que a tragédia pode ser ainda maior, com estimativas de mais de 10 mil mortos. Os abalos, que já devastaram cidades inteiras, especialmente no estado de La Guaira, também deixaram milhares de feridos e desaparecidos, aprofundando a crise humanitária em um país já fragilizado economicamente.
Segundo o Ministério do Interior da Venezuela, os números oficiais foram revisados após o resgate de mais corpos nos escombros de edifícios desabados em Caracas e nas regiões costeiras. O USGS, por sua vez, divulgou um relatório técnico no qual projeta que o número real de mortos pode superar a casa dos 10 mil, considerando a magnitude dos tremores — que chegaram a 7,3 e 6,8 na escala Richter — e a densidade populacional das áreas afetadas. A diferença entre os dados oficiais e as projeções científicas acendeu um alerta sobre a capacidade de resposta do governo venezuelano e a subnotificação de vítimas em zonas de difícil acesso.
Panorama político e humanitário
A tragédia natural ocorre em meio a um cenário político conturbado na Venezuela, com sanções internacionais, hiperinflação e escassez de recursos básicos. A Organização das Nações Unidas (ONU) e a Cruz Vermelha Internacional já mobilizaram equipes de emergência, mas enfrentam dificuldades logísticas e burocráticas para distribuir ajuda. O Brasil, por meio do Ministério das Relações Exteriores, intensificou o envio de donativos, incluindo alimentos, medicamentos e equipes de busca, conforme noticiado anteriormente pelo Republica do Povo. A atuação de médicos cubanos em La Guaira tem sido destacada como um dos poucos alívios em meio ao caos, mas a falta de infraestrutura hospitalar e de equipamentos básicos limita os esforços de salvamento.
Enquanto as buscas continuam, o número de desaparecidos pode ultrapassar 40 mil, segundo estimativas de organizações não governamentais locais. A Defesa Civil venezuelana informou que mais de 2,9 mil feridos foram atendidos em hospitais de campanha, muitos em estado grave. O governo de Nicolás Maduro decretou luto oficial de sete dias e pediu ajuda internacional, mas a crise política e a desconfiança de potências ocidentais têm dificultado uma resposta coordenada. O USGS reforçou que novas réplicas são esperadas nas próximas semanas, o que pode elevar ainda mais o número de vítimas e agravar a situação humanitária.
Fonte: ver noticia original

