Chuvas torrenciais em Mumbai causam desabamentos e deixam seis mortos, incluindo cinco crianças

As fortes chuvas que atingem Mumbai desde o início da semana provocaram desabamentos em áreas de risco e deixaram seis mortos, entre eles cinco crianças, segundo informações oficiais divulgadas pela CNN Brasil. O temporal, que já acumula volumes históricos para o período de monções, também causou transtornos generalizados no transporte aéreo, ferroviário e na rede de ensino da capital financeira da Índia, expondo a fragilidade da infraestrutura urbana diante de eventos climáticos extremos.

As vítimas fatais foram registradas em dois desabamentos distintos ocorridos em bairros periféricos da cidade, onde construções precárias não resistiram ao excesso de umidade e à pressão da água acumulada. Equipes de resgate do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil local trabalharam durante horas para retirar os corpos dos escombros, enquanto moradores denunciavam a falta de manutenção em imóveis antigos e a ocupação irregular de encostas. O governo do estado de Maharashtra decretou luto oficial de dois dias e anunciou indenizações de 500 mil rúpias (cerca de R$ 30 mil) para as famílias das vítimas.

No setor de transportes, o caos se instalou desde a madrugada. O Aeroporto Internacional Chhatrapati Shivaji Maharaj suspendeu temporariamente pousos e decolagens por mais de três horas devido à baixa visibilidade e ao acúmulo de água nas pistas, afetando dezenas de voos domésticos e internacionais. A companhia aérea IndiGo informou que pelo menos 12 voos foram desviados para Ahmedabad e Delhi. Já a rede ferroviária suburbana, considerada a espinha dorsal do transporte na região metropolitana, operou com atrasos de até 90 minutos e cancelamentos em três linhas principais, deixando milhares de passageiros retidos em estações alagadas.

O sistema educacional também foi fortemente impactado. A prefeitura de Mumbai determinou o fechamento de todas as escolas públicas e privadas por dois dias consecutivos, medida que atingiu mais de 1,5 milhão de alunos. A decisão foi tomada após relatos de salas de aula alagadas e riscos de deslizamentos em vias de acesso. Organizações da sociedade civil criticaram a falta de um plano de contingência para eventos climáticos recorrentes, já que a temporada de monções na Índia costuma se estender de junho a setembro e provoca tragédias semelhantes todos os anos.

O panorama político geral revela um cenário de pressão sobre o governo do primeiro-ministro Narendra Modi e sobre a administração estadual de Maharashtra, liderada pelo partido Shiv Sena. Especialistas em urbanismo e mudanças climáticas apontam que Mumbai, apesar de ser o centro financeiro do país, sofre com décadas de negligência em obras de drenagem e com a ocupação desordenada de áreas de mangue e encostas. Dados do Instituto Indiano de Meteorologia indicam que a cidade registrou 250 mm de chuva em apenas 24 horas, volume 40% acima da média histórica para o mês. A tragédia reacende o debate sobre a necessidade de investimentos em infraestrutura resiliente e de políticas públicas que integrem prevenção de desastres, habitação popular e adaptação climática.

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