Escassez de terrenos na Zona Franca de Manaus ameaça expansão industrial e gera alerta no setor produtivo

A Zona Franca de Manaus enfrenta um gargalo crítico: a falta de terrenos industriais disponíveis para receber novas fábricas. O problema, que vinha sendo discutido nos bastidores, passou a ser tratado como prioridade pelo Conselho de Administração da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus). A preocupação central é que a escassez de áreas possa comprometer o crescimento do polo industrial, um dos principais motores da economia da região Norte.

A situação ganhou contornos de urgência após sucessivos relatos de empresas interessadas em se instalar no distrito industrial, mas que não encontram lotes adequados. A Suframa, responsável pela gestão das áreas, reconhece que a demanda supera a oferta atual, o que pode levar à perda de investimentos e postos de trabalho. O conselho avalia medidas como a readequação de espaços ociosos e a expansão de novas zonas industriais, mas ainda sem prazo definido.

Impactos no desenvolvimento regional

A falta de terrenos não afeta apenas a instalação de novas empresas, mas também a ampliação das já existentes. O polo industrial de Manaus abriga mais de 600 indústrias, gerando cerca de 500 mil empregos diretos e indiretos. Qualquer estagnação na oferta de áreas pode frear a diversificação produtiva e a atração de novos segmentos, como o de tecnologia e energia limpa.

Especialistas apontam que o gargalo é resultado de décadas de planejamento insuficiente e da falta de investimentos em infraestrutura. Enquanto isso, estados como Pará e Rondônia têm avançado na oferta de incentivos e áreas industriais, aumentando a concorrência por novos empreendimentos. A Suframa já iniciou estudos para mapear terrenos subutilizados dentro da própria Zona Franca, mas a solução de médio prazo depende de articulação com governos estadual e federal.

O cenário acendeu alerta entre lideranças empresariais e políticas. A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) defende a criação de um plano diretor integrado, que inclua a desburocratização para cessão de áreas e a ampliação do perímetro industrial. Enquanto isso, o governo do Amazonas sinalizou apoio à Suframa, mas sem apresentar propostas concretas. A falta de consenso sobre o uso do solo e a demora em licenciamentos ambientais também são apontados como entraves.

A situação é acompanhada de perto por investidores estrangeiros, que veem na Zona Franca um polo estratégico para a América Latina. A indefinição sobre novos terrenos pode redirecionar esses investimentos para outras regiões do país ou até para países vizinhos, como Colômbia e Peru, que têm ampliado suas zonas de processamento de exportação.

Diante do impasse, a Suframa prometeu apresentar, nos próximos meses, um relatório detalhado sobre a disponibilidade de áreas e as alternativas para ampliar a oferta. O setor produtivo aguarda com expectativa, mas já adverte: sem solução rápida, o crescimento do polo industrial pode ser comprometido de forma irreversível.

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