Afastamentos por saúde mental batem recorde na região de Ribeirão Preto e Franca em 2024

Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelou que, em 2024, as seis maiores cidades da região de Ribeirão Preto (SP) registraram 5,6 mil afastamentos do trabalho por problemas de saúde mental, o maior número da série histórica desde 2012. Os dados, que abrangem Ribeirão Preto, Franca (SP), Sertãozinho (SP), Barretos (SP), Jaboticabal (SP) e Bebedouro (SP), apontam que os transtornos estão ligados a estresse, ansiedade e depressão, frequentemente associados a acidentes de trabalho. As profissões mais atingidas são técnico de enfermagem e auxiliar de escritório, com impactos diretos na produtividade e nos custos das empresas.

O levantamento, realizado pelo Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, do Ministério Público do Trabalho (MPT) em parceria com a OIT, destaca que os afastamentos geraram milhares de dias pagos pelas empresas sem a contrapartida dos serviços, afetando a iniciativa privada. Além dos prejuízos financeiros, o cenário reflete um agravamento das condições de saúde mental no ambiente laboral, impulsionado por fatores como metas abusivas, assédio e jornadas excessivas.

Nova norma trabalhista e riscos psicossociais

Em resposta a esse quadro, entrou em vigor uma versão atualizada da Norma Regulamentadora de número 1 (NR-1) do Ministério do Trabalho, que torna obrigatório para as empresas identificar, prevenir e reduzir riscos à saúde mental no trabalho. A medida abrange questões como assédio moral, metas abusivas e jornadas excessivas, que são apontadas como gatilhos para transtornos como estresse, ansiedade e depressão.

O cientista político João Augusto do Carmo, autor do e-book “Nova NR-1 Avançada: o diferencial das grandes empresas para os melhores resultados”, destacou a importância de reconhecer o trabalho como parte da vida. “Somos, antes de tudo, pessoas. Mas a maioria ainda não consegue compreender esse aspecto. (…) Mesmo tardiamente, estamos começando a entender o que nos move, o valor das emoções, do apoio entre colegas, do reconhecimento, das relações humanas. E o trabalho não é um espaço à parte da vida. O trabalho é uma das dimensões da vida”, afirmou.

Profissões e doenças mais afetadas

Entre as doenças emocionais mais associadas aos afastamentos estão os transtornos de estresse, ansiedade e depressão, que frequentemente evoluem para quadros de incapacidade laboral. As profissões de técnico de enfermagem e auxiliar de escritório lideram os registros, refletindo a alta demanda emocional e a pressão por resultados em setores como saúde e administração. A disponibilidade emocional e a pressão social são apontadas como fatores relevantes para o aumento dos casos.

O recorde de afastamentos também é explicado pela dificuldade de separar o trabalho da vida pessoal, intensificada pela tecnologia, internet e redes sociais, que exigem respostas rápidas e constantes. Esse contexto torna imperativo que empresas e trabalhadores adotem medidas de prevenção e cuidado com a saúde mental, sob pena de agravamento dos índices.

Impacto econômico e social

Além dos prejuízos sociais, os afastamentos geram custos significativos para a iniciativa privada, com dias pagos sem a prestação de serviços. A nova NR-1 busca mitigar esses impactos ao obrigar as empresas a mapear e reduzir riscos psicossociais, como assédio e metas abusivas. A medida é vista como um avanço na proteção dos trabalhadores, mas especialistas alertam que a implementação efetiva depende de fiscalização e mudança cultural nas organizações.

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