A Justiça do Amazonas decretou, nesta segunda-feira (6), a prisão preventiva do sargento da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) Diego de Franco Guedes, preso na sexta-feira (3) sob suspeita de escoltar um carregamento de 603 quilos de maconha tipo skunk pelo Rio Solimões, nas proximidades de Coari, no interior do estado. Além do policial militar, a decisão judicial também manteve a prisão preventiva de outros seis suspeitos detidos durante a operação, conforme confirmado ao g1.
A operação foi desencadeada após denúncias de que duas embarcações pesqueiras transportavam drogas na região da comunidade do Laranjal, em Coari. Outra denúncia informou que os tripulantes haviam se envolvido em um confronto armado com suspeitos de pirataria no Rio Solimões. Durante a abordagem aos barcos “Rei Arthur” e “Vai com Deus”, os policiais apreenderam 530 tabletes de skunk, totalizando 603 quilos da droga, além de duas pistolas, quatro carregadores e mais de 100 munições.
Os presos são Diego de Franco Guedes, Wanderley de Souza Farias, Fabrício Silva Pessoa, Adeval Pego Coelho, Aderlan Celestino Coelho, Fernando da Silva Bezerra e Francisco Araújo de Medeiros. Todos foram inicialmente levados para a Base Arpão 2 e, depois, encaminhados à Delegacia Interativa de Coari, onde foram autuados por tráfico de drogas e associação para o tráfico. O g1 tenta localizar a defesa dos investigados.
Impacto e panorama político
O caso expõe a vulnerabilidade das forças de segurança pública no Amazonas, onde a atuação de policiais militares em esquemas de narcotráfico reforça a necessidade de mecanismos de controle interno mais rigorosos. A prisão de um sargento da PMAM, em serviço ativo, levanta questionamentos sobre a infiltração do crime organizado nas corporações e a eficácia dos processos de correição. A Polícia Militar do Amazonas informou, em nota, que o sargento responderá pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, e que instaurou um processo administrativo disciplinar, conduzido pela Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD), para apurar a conduta do militar.
O episódio ocorre em um contexto de intensificação das operações de combate ao tráfico na região amazônica, onde rotas fluviais são amplamente utilizadas para o escoamento de drogas. A apreensão de 603 kg de skunk, uma variedade de maconha de alto valor agregado, representa um golpe significativo nas finanças do crime organizado, mas também evidencia a escala do problema. A decisão da Justiça de manter todos os suspeitos presos preventivamente sinaliza um endurecimento no tratamento de casos que envolvem agentes públicos, em linha com outras decisões recentes do STJ que reforçam o combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado, como no caso de Deolane Bezerra e de investigados por fraudes no INSS.
A operação no Rio Solimenses também destaca a complexidade da logística do tráfico na Amazônia, que combina transporte fluvial, uso de embarcações pesqueiras como fachada e a eventual participação de militares para garantir a segurança das cargas. A prisão do sargento e dos demais suspeitos, portanto, não é um fato isolado, mas parte de um padrão que exige respostas integradas entre os poderes Judiciário, Executivo e as forças de segurança, além de políticas públicas de prevenção e repressão ao crime organizado.
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