A nova líder do governo Lula no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que a direita dará “um tiro no pé” ao apostar no impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) como bandeira central na campanha para o Senado em 2026. Em contrapartida, a senadora apontou que o fim da escala de trabalho 6×1 — que prevê seis dias de trabalho por um de descanso — é uma demanda popular capaz de mobilizar o eleitorado e pode se tornar um trunfo eleitoral para candidatos de esquerda, mesmo que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) não seja aprovada antes das eleições.
A declaração foi feita em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada neste domingo (7). Para Teresa Leitão, a oposição comete um erro estratégico ao concentrar esforços no impeachment de ministros do STF, tema que, segundo ela, não dialoga com as preocupações imediatas da população. “O povão quer o fim da 6×1, quer melhores condições de trabalho e de vida. Ficar falando de impeachment do STF é um tiro no pé da direita, porque não é isso que está na cabeça de quem vai às urnas”, declarou a senadora.
Panorama político e impacto eleitoral
A avaliação de Teresa Leitão ocorre em um momento de intensa polarização no Congresso Nacional. Enquanto setores da oposição articulam pedidos de impeachment contra ministros do STF — movimento que ganhou força após decisões da Corte que atingiram diretamente parlamentares e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro —, a base governista aposta em pautas de impacto social direto, como a redução da jornada de trabalho. A PEC que propõe o fim da escala 6×1, de autoria da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), já conta com mais de 130 assinaturas e tramita na Câmara dos Deputados, mas enfrenta resistência de setores empresariais e da bancada trabalhista.
Para a nova líder do governo no Senado, a aprovação da PEC antes das eleições não é condição indispensável para que o tema seja capitalizado eleitoralmente. “Mesmo que a PEC não seja aprovada até outubro, o debate já está posto. A população sabe quem está do lado dela e quem está contra. Isso vai se refletir nas urnas”, afirmou Teresa Leitão. A senadora também destacou que a esquerda precisa ocupar o espaço deixado pela direita, que, segundo ela, “se perde em pautas institucionais que não tocam o cotidiano do trabalhador”.
A declaração de Teresa Leitão ecoa um movimento mais amplo dentro da base aliada do governo Lula, que busca reposicionar o debate público para temas econômicos e sociais, como geração de empregos, combate à inflação e reforma trabalhista. Enquanto isso, a oposição tenta manter o foco no que considera “ativismo judicial” do STF, especialmente em relação a investigações que miram aliados de Bolsonaro. A estratégia, no entanto, pode não render os frutos esperados, segundo analistas políticos, que apontam que o eleitorado médio está mais preocupado com a carestia e com as condições de trabalho do que com disputas entre os Poderes.
Com a saída de Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado, Teresa Leitão assume o posto em um momento crucial, a menos de quatro meses das eleições de 2026. A senadora pernambucana terá a missão de articular a base governista em torno de pautas prioritárias, como a aprovação do Orçamento e a tramitação de medidas provisórias, além de defender o governo Lula em um cenário de forte pressão oposicionista. A aposta no fim da escala 6×1 como bandeira eleitoral, no entanto, pode gerar atritos com setores do centrão, que historicamente resistem a mudanças na legislação trabalhista.
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