O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que poderia votar no senador Renan Filho (MDB-AL) em uma eventual disputa eleitoral, declaração que evidencia o aprofundamento do racha com o grupo político do prefeito de Maceió, JHC (PL). A fala, registrada pela GazetaWeb, ocorre em meio a um cenário de intensa movimentação nos bastidores políticos de Alagoas, onde as alianças e rivalidades tradicionais vêm sendo reconfiguradas para as eleições de 2026.
A declaração de Lira, um dos principais articuladores do Centrão e aliado de primeira hora do ex-presidente Jair Bolsonaro, surpreendeu analistas e adversários. Até então, o presidente da Câmara mantinha uma postura de alinhamento com JHC, que rompeu com o grupo dos Renan Calheiros e Renan Filho. A sinalização de apoio a Renan Filho, no entanto, sugere que Lira busca ampliar sua base de sustentação e reduzir a dependência do grupo bolsonarista em Alagoas, onde JHC é o principal expoente.
O contexto da disputa em Alagoas
Alagoas vive um dos momentos mais acirrados de sua história política recente. De um lado, o grupo dos Calheiros, liderado pelo senador Renan Calheiros (MDB) e pelo filho, Renan Filho, que governou o estado por dois mandatos e hoje é ministro dos Transportes no governo Lula. Do outro, a aliança entre Arthur Lira e JHC, que uniu o Centrão ao bolsonarismo local. A fala de Lira, portanto, representa uma inflexão que pode redefinir o tabuleiro eleitoral.
O racha com JHC, que vinha sendo costurado nos bastidores há meses, agora se torna público. A declaração de Lira é vista como uma tentativa de isolar o prefeito de Maceió e, ao mesmo tempo, fortalecer a candidatura de Renan Filho ao governo do estado, que já conta com o apoio do presidente Lula. A movimentação também reflete a insatisfação de Lira com a condução de JHC à frente da prefeitura, especialmente em relação à distribuição de emendas e cargos.
Impacto nacional e articulações no Congresso
A declaração de Lira não se limita ao cenário local. Ela ecoa nas negociações em Brasília, onde o presidente da Câmara busca manter sua influência sobre a base governista e, ao mesmo tempo, preservar o diálogo com a oposição. A sinalização a Renan Filho, que é um dos ministros mais próximos de Lula, pode ser interpretada como uma tentativa de Lira de se aproximar do Palácio do Planalto, sem romper definitivamente com o bolsonarismo.
Nos bastidores, aliados de JHC reagiram com surpresa e irritação. A avaliação é que Lira estaria “traindo” o acordo firmado em 2022, quando ambos se uniram para eleger JHC prefeito e Lira presidente da Câmara. Já o grupo de Renan Filho comemorou a declaração, vendo nela a chance de isolar JHC e atrair parte do Centrão para a candidatura do MDB.
O que esperar para 2026
Com a declaração de Lira, a disputa em Alagoas ganha novos contornos. Renan Filho, que já foi governador e hoje comanda uma pasta estratégica no governo federal, surge como favorito, mas terá que enfrentar a máquina pública de Maceió, controlada por JHC, e a influência de Lira no Congresso. A fala do presidente da Câmara, no entanto, indica que as alianças estão em constante mutação e que o cenário para 2026 ainda é incerto.
Enquanto isso, a população alagoana acompanha atenta os movimentos dos líderes políticos, que prometem agitar ainda mais o cenário local nos próximos meses. A declaração de Lira, ao expor o racha com JHC, reacende a disputa por hegemonia no estado e coloca em xeque as alianças que até então pareciam consolidadas.
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