Sem-Terras ocupam calçada do Palácio para evitar despejo de 5 mil famílias

Na manhã desta quarta-feira, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam a calçada do Palácio do Governo de Alagoas, em Maceió, em um ato para evitar o despejo de aproximadamente 5 mil famílias que vivem em acampamentos e assentamentos precários no estado. A ação, que ocorre em meio a um cenário de tensão fundiária, busca pressionar o governo estadual a intervir contra ordens de reintegração de posse emitidas pela Justiça, que ameaçam desalojar as famílias de áreas onde aguardam a regularização de terras.

Segundo lideranças do MST, o protesto é uma resposta direta a decisões judiciais que determinam o despejo de famílias em regiões como a Zona da Mata e o Sertão alagoano, onde comunidades rurais vivem há anos em situação de vulnerabilidade. O movimento denuncia que as ordens de reintegração de posse ignoram o direito à moradia e à reforma agrária, previstos na Constituição Federal, e que o governo estadual tem se omitido em buscar soluções negociadas. A ocupação da calçada do Palácio, que já dura mais de 12 horas, conta com barracas e faixas que pedem a suspensão imediata dos despejos e a abertura de diálogo com o governador Paulo Dantas.

Panorama político e fundiário em Alagoas

O protesto ocorre em um contexto de crescente conflito agrário no Brasil, onde o número de famílias sem-terra aumentou nos últimos anos, segundo dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Em Alagoas, a situação é agravada pela concentração fundiária histórica e pela falta de políticas públicas efetivas de assentamento. O MST alega que, das 5 mil famílias ameaçadas, cerca de 2 mil já haviam sido reassentadas temporariamente, mas aguardam há mais de três anos a titulação definitiva de suas terras. A ação de hoje é a maior já realizada pelo movimento no estado em 2025, e reflete a insatisfação com a lentidão dos processos de reforma agrária e a judicialização dos conflitos.

O governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, afirmou que está monitorando a situação e que busca um acordo com o movimento, mas não detalhou medidas concretas. Enquanto isso, o MST promete manter a ocupação até que haja uma resposta oficial que garanta a permanência das famílias. O caso ganhou repercussão nacional, com entidades de direitos humanos e movimentos sociais cobrando uma solução pacífica. A Polícia Militar foi acionada para garantir a segurança no local, mas até o momento não houve confrontos. A expectativa é de que uma reunião entre representantes do movimento e o governo ocorra nas próximas horas.

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