A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou, nesta segunda-feira (6), o encerramento da investigação sobre o desaparecimento de Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, de 39 anos, ex-mulher do goleiro Bruno Fernandes de Souza. Segundo a instituição, “as diligências realizadas e os elementos reunidos ao longo da investigação apontam para um desaparecimento voluntário, não havendo indícios da prática de crime”. A decisão foi tomada após análise de provas, depoimentos e dados de inteligência, que não apontaram qualquer ação criminosa contra a mulher.
O caso ganhou destaque nacional devido ao histórico do goleiro Bruno, condenado pela morte de Eliza Samudio, ex-namorada, em 2010. Dayanne, que foi casada com Bruno e é mãe de um dos filhos dele, desapareceu em meados de 2024, gerando suspeitas de envolvimento do ex-companheiro. No entanto, a polícia mineira descartou essa hipótese, afirmando que não há qualquer vínculo entre o sumiço e o goleiro, que atualmente cumpre pena em regime semiaberto.
Investigação e conclusão
De acordo com a delegada responsável pelo caso, Maria Aparecida de Oliveira, as investigações incluíram análise de registros telefônicos, câmeras de segurança, depoimentos de familiares e amigos, além de consultas a bancos de dados nacionais. “Não encontramos nenhum elemento que indicasse sequestro, homicídio ou qualquer outro crime. A própria família, em determinado momento, informou que Dayanne teria manifestado o desejo de se afastar e recomeçar a vida em outro local”, explicou a delegada. A polícia também não localizou movimentações financeiras suspeitas ou comunicações que sugerissem coação.
A decisão de arquivar o inquérito foi comunicada ao Ministério Público de Minas Gerais, que não se opôs ao encerramento. A família de Dayanne, por meio de seu advogado, Carlos Alberto dos Santos, afirmou que respeita a conclusão policial, mas mantém a esperança de que ela reapareça. “A família está aliviada por não haver indícios de crime, mas ainda assim vive a angústia do desconhecido. Esperamos que Dayanne, se estiver bem, entre em contato”, declarou o advogado.
Panorama político e social
O caso reacende o debate sobre a eficácia das investigações de desaparecimento no Brasil, especialmente quando envolvem figuras públicas ou pessoas com histórico de violência. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2023, mais de 80 mil pessoas desapareceram no país, e cerca de 40% dos casos seguem sem solução. A atuação da Polícia Civil de Minas Gerais foi elogiada por especialistas, que destacaram a transparência na condução do inquérito, mas também criticaram a demora na conclusão – o caso se arrastou por quase um ano.
Em um contexto mais amplo, o episódio também expõe a pressão midiática sobre investigações de alto perfil. O nome do goleiro Bruno, associado a um crime de grande repercussão, gerou especulações imediatas, mas a polícia manteve o foco nas evidências. “É fundamental que a sociedade entenda que nem todo desaparecimento é crime. A polícia precisa de tempo e recursos para investigar, e a opinião pública não pode ditar o rumo das apurações”, afirmou o sociólogo João Pedro Ribeiro, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O arquivamento do caso não impede que novas provas sejam apresentadas no futuro. A Polícia Civil informou que, caso surjam informações relevantes, as investigações podem ser reabertas. Enquanto isso, o nome de Dayanne Rodrigues do Carmo Souza permanece na lista de pessoas desaparecidas, mas sem qualquer suspeita de crime.
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