Menina de 11 anos ingere soda cáustica e está na UTI; madrasta é suspeita de fornecer o produto no Acre

Uma menina de 11 anos está internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into-AC), em Rio Branco, com suspeita de ter ingerido soda cáustica. A Polícia Civil do Acre confirmou que recebeu uma denúncia de que a madrasta da criança teria dado o produto à enteada e investiga o caso. A situação ocorreu na última sexta-feira (3), no bairro Apolônio Sales, na capital acreana, e foi registrada na Delegacia de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vítima (Decav) nesta segunda-feira (6) pela pastora Regiane Maciel, vizinha da família que socorreu a vítima.

De acordo com a pastora, o pai da menina chegou em sua casa com a filha na sexta-feira, vomitando sangue e apresentando sinais de extrema gravidade. A madrasta também estava no local. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, e a criança foi levada ao Pronto-Socorro de Rio Branco. “Eu socorri ela junto com meu esposo, já desmaiada”, relatou Regiane Maciel ao g1. Antes de perder a consciência, a menina teria dito que passou mal após tomar um remédio que a madrasta a obrigou a ingerir.

A pastora também denunciou o caso nas redes sociais em um vídeo, onde pediu doações de roupas para a criança. “O que aconteceu com essa criança é inadmissível. Não sabia, de fato, o que tinha acontecido, apenas que a madrasta deu um remédio e tinha feito mal. O pai disse: ‘ela tentou matar minha filha envenenada’”, afirmou. No vídeo, ela lamentou as condições da menina: “Se você tem roupas de sua filha de 11 ou 12 anos me procure. Gente, as calcinhas dela são de [crianças] de 6 meses”.

A Polícia Civil informou que a delegada responsável pelo caso “não irá falar no momento para não atrapalhar as investigações”. O g1 não conseguiu contato com a família da menina. A situação também foi denunciada ao 2º Conselho Tutelar de Rio Branco, que confirmou ter recebido uma denúncia de maus-tratos contra a criança e acompanha seu estado de saúde. O órgão destacou que a prioridade é garantir o atendimento e a proteção da vítima, mas não pode fornecer mais detalhes porque o caso está em segredo de Justiça. Todas as medidas previstas em lei foram adotadas.

O caso também é acompanhado pela 3ª Promotoria Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente, do Ministério Público do Acre (MP-AC), e pela Justiça. A repercussão do caso gerou comoção e mobilizou a comunidade local, que busca garantir a proteção da criança e a apuração dos fatos.

O episódio se soma a uma série de casos recentes de violência contra crianças e adolescentes no Brasil, como o resgate de um menino de 9 anos que vivia trancado em um banheiro de bar em Goiás, o assassinato de Bernardo Boldrini no Rio Grande do Sul e a condenação de um pai e uma madrasta a mais de 600 anos de prisão por escravidão sexual de adolescentes. Esses casos reforçam a necessidade de políticas públicas eficazes e de uma atuação integrada entre polícia, Conselho Tutelar, Ministério Público e Justiça para prevenir e punir abusos contra crianças e adolescentes.

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