Na última sexta-feira (3), a Polícia Civil da Bahia deflagrou a Operação Sintonia de Gravata, que resultou na prisão de 10 advogados suspeitos de atuar como intermediários entre facções criminosas e seus líderes presos. A investigação aponta que os detentos, todos apontados como chefes do tráfico de drogas, continuavam a comandar crimes fora dos presídios com o auxílio dos profissionais. A ação também cumpriu 15 mandados de busca e apreensão em diferentes municípios baianos, revelando uma complexa rede de articulação entre o sistema prisional e o crime organizado.
Segundo apurou a equipe de reportagem, os 12 detentos investigados desempenham papéis de chefia em facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), além do Bonde do Maluco (BDM). Entre os nomes estão Gleidson Bonfim do Nascimento (BDM, atuação em Lauro de Freitas), Ian Pedro Santos (CV, Casa Nova), José Lucas Silva Rocha, vulgo “Índio” (CV, Eunápolis), Leandro da Conceição Santos, vulgo “Léo Gringo” ou “Shantaram” (BDM, Lauro de Freitas), Manoel Luiz dos Santos Neto, vulgo “Honda” (CV, Juazeiro), Marlos Araújo Souza Júnior, vulgo “Bolão” (BDM, Senhor do Bonfim), Victor de Freitas Silva, vulgo “da Jega” (CV, Feira de Santana), Wesley William Alves dos Santos (PCC, Juazeiro), Averaldo Ferreira da Silva Filho, vulgo “Averaldinho” (BDM, Calabar, Salvador), Décio Douglas Silva Oliveira, vulgo “Vaqueiro” (BDM, Bom Jesus da Lapa), Fábio Santana Oliveira, vulgo “Panda” (CV, Capim Grosso) e Francileno de Jesus Nunes, vulgo “Su”, “Coroa” e “Mineiro” (CV, Vitória da Conquista).
Entre os advogados presos, a investigação destacou Maria Tereza Novaes Martins, que atuaria em favor de Victor de Freitas Silva, o “Da Jega”, chefe do Comando Vermelho em Feira de Santana; Izabela da Silva de Oliveira, que atuaria em favor de Averaldo Ferreira da Silva Filho, o “Averaldinho”, líder do Bonde do Maluco em Salvador; e Luan Masca, cuja atuação também foi mencionada no inquérito. A operação, que mobilizou forças de segurança em todo o estado, expõe a vulnerabilidade do sistema prisional e a sofisticação das organizações criminosas, que utilizam profissionais do direito como ponte para manter o controle de atividades ilícitas, como tráfico de drogas, aquisição e posse ilegal de armas de fogo.
O panorama político e social da Bahia, marcado por disputas territoriais entre facções e altos índices de violência, ganha contornos ainda mais preocupantes com a revelação de que advogados — peças-chave no acesso à justiça — estariam cooptados pelo crime. A operação, que já resultou em audiências de custódia e na prisão preventiva dos envolvidos, levanta questionamentos sobre a fiscalização nos presídios e a necessidade de medidas mais rigorosas para coibir a comunicação entre detentos e o mundo exterior. As investigações continuam em sigilo, mas a expectativa é de que novos desdobramentos possam surgir nos próximos dias.
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