Justiça mantém prisão de ex-prefeito de Belford Roxo; operação da PF mira esquema bilionário de lavagem de dinheiro

A Justiça Federal manteve, nesta quarta-feira (26), a prisão em flagrante do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, determinando sua transferência para o presídio Bangu 8, no Rio de Janeiro. A decisão ocorre no âmbito de uma operação da Polícia Federal que investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, com ramificações em prefeituras da Baixada Fluminense. Canella foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de uso restrito, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça.

A operação, que ainda não teve seu nome oficial divulgado, mira um esquema que movimentou valores superiores a R$ 1 bilhão, segundo estimativas iniciais da PF. As investigações apontam que o grupo utilizava empresas de fachada, contratos superfaturados e laranjas para ocultar a origem do dinheiro desviado de recursos públicos. A prisão de Canella, ocorrida na manhã de terça-feira (25), foi um dos desdobramentos da ação, que cumpriu mandados em endereços ligados a ex-prefeitos, empresários e servidores públicos na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Esquema bilionário e prisão em flagrante

De acordo com a Polícia Federal, a arma apreendida com o ex-prefeito era de uso restrito das Forças Armadas, o que configura crime previsto no Estatuto do Desarmamento. A defesa de Canella alegou que a arma era legalizada e que o flagrante seria irregular, mas o juiz responsável pelo caso, Dr. Marcelo Oliveira, da 2ª Vara Federal de Duque de Caxias, entendeu que a posse ilegal justificava a manutenção da prisão. “A gravidade do crime, somada ao contexto da investigação de lavagem de dinheiro, recomenda a segregação cautelar para garantir a ordem pública e a continuidade das apurações”, afirmou o magistrado em sua decisão.

O esquema investigado pela PF teria operado entre 2017 e 2023, envolvendo prefeituras de Belford Roxo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu, entre outras. As fraudes incluíam contratos de limpeza urbana, transporte escolar e obras públicas, com superfaturamento de até 300% em alguns casos. A operação já resultou na prisão de outros três ex-prefeitos e de pelo menos cinco empresários, todos ligados ao mesmo núcleo criminoso. O montante total desviado, segundo a PF, pode chegar a R$ 1,5 bilhão, considerando contratos firmados ao longo de seis anos.

Panorama político e repercussão

A prisão de Márcio Canella ocorre em um momento de tensão política na Baixada Fluminense, onde esquemas de corrupção em prefeituras têm sido alvo constante de investigações federais. O ex-prefeito, que governou Belford Roxo entre 2013 e 2016, já havia sido condenado em primeira instância por improbidade administrativa em 2021, em um caso de desvio de verbas da saúde. A nova prisão reacende o debate sobre a impunidade de políticos na região, que historicamente enfrenta problemas de gestão e corrupção.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a operação da PF representa um avanço no combate à lavagem de dinheiro, mas alertam para a necessidade de fortalecer os mecanismos de controle interno nas prefeituras. “A prisão de ex-prefeitos é um sinal importante, mas o problema é sistêmico. Enquanto houver brechas na fiscalização de contratos públicos, esses esquemas continuarão a existir”, avaliou o cientista político Dr. Carlos Alberto Pereira, da UFRJ. A Polícia Federal informou que as investigações continuam e que novas prisões não estão descartadas.

O ex-prefeito Márcio Canella será transferido para Bangu 8 ainda nesta quarta-feira, onde ficará em cela especial, conforme determinação judicial. A defesa informou que recorrerá da decisão ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A reportagem tentou contato com a assessoria de Canella, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

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