Uma ponte suspensa sobre o Rio Paranapanema, na divisa entre Chavantes, no interior de São Paulo, e Ribeirão Claro, no Paraná, guarda marcas de um dos episódios mais importantes da história paulista. A Ponte Pênsil Alves de Lima foi palco de batalhas durante a Revolução Constitucionalista de 1932, levante de São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas. O conflito, que durou cerca de três meses, deixou mais de 600 constitucionalistas mortos, segundo estimativas oficiais, e é lembrado no feriado estadual de 9 de julho.
A Revolução Constitucionalista foi motivada pela exigência de uma nova Constituição e pelo protesto contra o interventor imposto pelo governo federal após o fim da chamada ‘política do café com leite’, período em que São Paulo e Minas Gerais alternavam o controle da Presidência da República. A ponte, que faz divisa com o Paraná, foi estratégica para os soldados paulistas, que tentaram conter o avanço das tropas gaúchas vindas do sul. ‘A ponte é uma referência histórica nossa da revolução, assim como a pedra na qual os soldados escreveram frases sobre o movimento’, afirmou a professora e pesquisadora Maria Helena Cadamuro à TV TEM.
Pela posição geográfica às margens do Rio Paranapanema, na divisa com o Paraná, Chavantes se tornou um dos frontes da revolução. As tropas paulistas chegaram à cidade pelos trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana e se instalaram no município para tentar conter o avanço das tropas federalistas. A única escola da cidade na época foi transformada em quartel militar, e os soldados se posicionaram às margens do rio, em alerta para a chegada das tropas inimigas.
As marcas desse período ainda podem ser vistas em pontos da cidade, inclusive em uma pedra às margens do Paranapanema, na qual soldados constitucionalistas gravaram frases do movimento com baionetas. Hoje, o local é conhecido como ‘Pedra da Revolução’ e fica na margem paulista do Rio Paranapanema, próximo à barragem da Usina Hidrelétrica Chavantes. A ponte, além de símbolo histórico, tornou-se ponto turístico na região.
O conflito de 1932 insere-se em um contexto mais amplo de instabilidade política no Brasil pós-1930, quando a Revolução de 1930 levou Getúlio Vargas ao poder, rompendo o acordo oligárquico entre São Paulo e Minas Gerais. A insatisfação paulista com a centralização do poder e a falta de uma Constituição resultou no levante armado, que, embora derrotado militarmente, pressionou o governo a convocar a Assembleia Nacional Constituinte de 1934. A data de 9 de julho, feriado em São Paulo, celebra a memória dos que lutaram pela causa constitucionalista.
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