A Polícia Civil de Minas Gerais deflagrou, na manhã desta quinta-feira (9), a terceira fase da operação Caronte, cumprindo 29 mandados de prisão temporária e 31 mandados de busca e apreensão em cinco cidades do Sul de Minas. A ação é resultado de investigações sobre tráfico de drogas e participação em grupo criminoso, com foco em uma célula ligada a uma facção criminosa que atuava em Itajubá e região, impondo regras e aplicando punições próprias – prática conhecida como ‘justiça paralela’.
Os mandados são cumpridos em Itajubá, Piranguinho, São Lourenço, Brazópolis e Wenceslau Braz. Entre os alvos estão suspeitos de integrar a facção e pessoas investigadas por acionar o grupo para resolver conflitos e outras demandas. Participam da operação cerca de 140 policiais civis das Delegacias Regionais de Itajubá, Pouso Alegre, São Lourenço e Poços de Caldas, além de equipes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Canil e do Hangar da Polícia Civil.
Relembre as fases anteriores
A primeira fase da operação Caronte foi realizada em agosto de 2020, quando 21 pessoas foram presas durante investigação que apontou a atuação de um grupo criminoso envolvido com tráfico de drogas e casos de ‘justiça privada’. Foram apreendidas drogas, uma arma de fogo e celulares. Já a segunda fase, deflagrada em outubro de 2021, terminou com 30 presos em cidades do Sul de Minas e em Dourados (MS). A investigação identificou a continuidade da atuação do grupo, incluindo o chamado ‘tribunal do crime’, utilizado para aplicar punições a pessoas que descumpriam regras impostas pela facção. Além das prisões, foram apreendidos mais de 10 quilos de drogas, munições, celulares e documentos.
O panorama político e social da região Sul de Minas tem sido marcado por ações integradas das forças de segurança para desarticular organizações criminosas que misturam tráfico de drogas com práticas de ‘justiça paralela’, um fenômeno que desafia o Estado de Direito e a atuação do Judiciário. A operação Caronte reflete o esforço contínuo da Polícia Civil de Minas Gerais em combater facções que tentam impor seu próprio ordenamento em comunidades, muitas vezes com violência e intimidação. A ação desta quinta-feira (9) reforça a necessidade de investigações aprofundadas e cooperação entre delegacias para coibir a atuação desses grupos, que movimentam cifras milionárias e geram impactos diretos na segurança pública e na confiança da população nas instituições.
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