O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, telefonou na manhã desta quinta-feira (9) para o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e garantiu que fará uma transição pacífica de poder, em meio à crise política desencadeada pela vitória da oposição nas eleições presidenciais colombianas. A ligação ocorre dois dias após o presidente eleito, Abelardo de la Espriella, cancelar o processo de transição e acusar Petro de planejar um golpe para se manter no cargo.
Segundo nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, durante a conversa, o presidente colombiano indicou “que deixará o cargo no dia 6 de agosto” e “reafirmou seu compromisso com a democracia e com uma transição pacífica no país”. A declaração busca conter a escalada de tensão que tomou conta do cenário político colombiano desde o pleito de 21 de junho, quando o candidato governista Ivan Cepeda foi derrotado por uma pequena margem de votos.
Crise eleitoral e acusações de fraude
Desde a derrota de Cepeda, Gustavo Petro questionou repetidamente a legitimidade do resultado, alegando fraude eleitoral. No entanto, observadores internacionais descartaram qualquer manipulação das urnas e reafirmaram a vitória da oposição. A postura do presidente colombiano gerou incertezas sobre a estabilidade democrática no país, especialmente após Abelardo de la Espriella cancelar a transição de poder e acusar Petro de tramar um golpe.
A crise na Colômbia insere-se em um contexto mais amplo de instabilidade política na América Latina, onde governistas perderam em 85% das eleições nos últimos oito anos, conforme levantamento do portal República do Povo. A segurança pública tem sido o motor da chamada “onda azul” na região, como avalia o Eurasia Group, e domina 70% das disputas desde 2023, segundo estudo recente. A vitória de Espriella, um nome da direita, reforça essa tendência, que já havia se manifestado em países como Peru, onde Keiko Fujimori foi proclamada vencedora após semanas de tensão eleitoral.
Reação de Lula e relações bilaterais
Após a confirmação da vitória de Espriella, o presidente Lula parabenizou o povo colombiano pela eleição. Nas redes sociais, o petista destacou o “processo democrático e soberano” e afirmou que a relação entre Brasil e Colômbia é “fundamental para a superação de desafios comuns”. A postura de Lula contrasta com a de outros líderes regionais, como o presidente do Brasil, que já havia parabenizado a Colômbia após a vitória da direita e defendido a cooperação entre os dois países.
O telefonema de Petro a Lula ocorre em um momento de reconfiguração política na América do Sul, onde a alternância de poder tem sido a regra. A transição pacífica na Colômbia, se confirmada, será um teste para a resiliência democrática da região, especialmente diante das acusações de fraude e da desconfiança entre os principais atores políticos. A comunidade internacional acompanha de perto os desdobramentos, enquanto a data de 6 de agosto se aproxima como marco para a entrega do cargo.
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