Adolescente com tatuagem nazista agride mulher trans em São Miguel dos Campos e filma ataque; polícia investiga conexão com grupos de supremacia branca

Um adolescente de 16 anos, portando uma tatuagem de suástica no braço, foi apreendido nesta quinta-feira (9) suspeito de agredir uma mulher trans de 43 anos em uma praça pública de São Miguel dos Campos, em Alagoas. A agressão, registrada em vídeo por um segundo rapaz que acompanhava o ataque, mostra o jovem desferindo socos e chutes contra a vítima. A Polícia Civil autuou o suspeito em flagrante por ato infracional equivalente a lesão corporal e discriminação, e investiga sua possível vinculação com grupos de supremacia branca. O celular do adolescente foi apreendido e passará por perícia.

De acordo com o boletim de ocorrência, a mulher trans retornava para a casa da mãe entre 22h e 23h quando foi surpreendida pelo agressor, que vestiu o capuz de um casaco antes de iniciar o ataque. A vítima, que sofreu lesões nos joelhos e nos braços, declarou à polícia acreditar que foi atacada por causa de sua identidade de gênero. Ela também afirmou que o suspeito já havia perseguido outras pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ na região.

O delegado Bruno Fernandes, responsável pela investigação na 6ª Delegacia Regional de Polícia (DRP), informou que o adolescente já possui registros anteriores de atos de violência. A polícia identificou indícios de que ele participa de grupos nazistas e publicava vídeos sobre o tema nas redes sociais. O amigo que filmou a agressão prestou depoimento e alegou desconhecer que o colega atacaria a vítima.

Transfobia em números

Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) de Alagoas revelam que o estado registrou 42 casos de homofobia em 2025, dos quais nove foram classificados como transfobia. Entre janeiro e maio de 2026, já foram notificados 23 episódios de homofobia, incluindo sete de transfobia. Na capital, Maceió, foram contabilizados 28 casos em 2025 (sete de transfobia) e 14 ocorrências nos cinco primeiros meses de 2026 (três de transfobia).

Em nota, a Secretaria Municipal da Mulher e dos Direitos Humanos de São Miguel dos Campos repudiou o episódio, afirmando que “nada justifica qualquer ato de agressão ou violência, especialmente contra pessoas em situação de vulnerabilidade” e cobrou a punição dos envolvidos na forma da lei. O caso reacende o debate sobre a escalada de crimes de ódio contra a população LGBTQIAPN+ no estado e a necessidade de políticas públicas mais efetivas de prevenção e combate à transfobia.

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