O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou, nesta quinta-feira (9), uma operação que resultou na prisão de seis pessoas, entre elas um delegado da Polícia Civil, um procurador do estado e o presidente de uma autarquia do governo fluminense, acusados de integrar um esquema que desviou ao menos R$ 86,3 milhões dos cofres públicos nos últimos quatro anos. As investigações apontam que o Instituto Rio Metrópole, órgão estadual criado em 2018 para planejar o desenvolvimento da Região Metropolitana, foi convertido em um instrumento de desvio de dinheiro público, com fraudes e direcionamento de licitações.
De acordo com a denúncia do MPRJ, o esquema funcionava dentro do Instituto Rio Metrópole, que deveria atuar em áreas estratégicas como transporte e saneamento. Os promotores afirmam que o órgão foi cooptado por criminosos, transformando-se em um antro de corrupção. Na decisão que autorizou as prisões, o juiz responsável escreveu: “O estado do Rio chegou ao fundo do poço e descobriu que ainda havia uma caixa de gordura”, em referência à gravidade do desvio e à situação financeira do estado.
Investigação começou com denúncia de saques milionários
A investigação teve início em janeiro de 2026, após o MPRJ receber uma denúncia de que uma ex-fiscal do Instituto Rio Metrópole, Caroline Soares Barros, havia sacado R$ 500 mil em uma agência bancária no interior do estado. Caroline, apelidada pelos promotores de “a mulher da mala”, usava até escolta para realizar os saques. Ao todo, foram 13 saques ao longo de nove meses, que somaram mais de R$ 3 milhões. Segundo o MP, Caroline também presidia um instituto de fachada que recebia parte do dinheiro desviado.
Além de Caroline, foram presos o presidente do Instituto Rio Metrópole, Davi Perini Vermelho; o delegado Franquis Dias Nepomuceno, apontado como um dos donos da empresa que escoltava o grupo durante os saques; e o procurador do estado Marcelo Lopes da Silva. Todos foram denunciados por organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. A Justiça afastou os funcionários públicos e determinou o sequestro de bens dos acusados.
Panorama político e impacto no estado
O procurador-geral de Justiça do RJ, Antônio José Campos Moreira, afirmou que o caso revela a profundidade da crise de integridade no estado: “Isso talvez explique a situação de dificuldade financeira pela qual nosso estado passa há décadas. Inúmeras estruturas do estado, órgãos que deveriam prestar serviços ao cidadão, foram cooptadas por delinquentes, por marginais, transformando essas estruturas do estado em antros de corrupção”. A operação ocorre em um contexto de agravamento das contas públicas fluminenses, que já enfrentam déficits recorrentes e dependência de repasses federais.
O governo do Rio, em nota, declarou que tem compromisso com o combate à corrupção e que trabalhou em parceria com o Ministério Público durante as investigações. O procurador Marcelo Lopes da Silva, um dos presos, afirmou que não assinou contratos relacionados ao esquema, mas a denúncia aponta seu envolvimento direto nas fraudes. A operação do MPRJ é mais um capítulo na luta contra a corrupção no estado, que já registrou escândalos de grande porte nos últimos anos, como os desvios na área da saúde e na segurança pública.
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