Cachorro morto enviado a vereadora no RS é considerado protesto, não ameaça, conclui polícia

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu, nesta quinta-feira (9), a investigação sobre o envio de um cachorro morto em uma caixa à vereadora Deza Guerreiro (PP), de Novo Hamburgo. A 2ª Delegacia de Polícia do município descartou a hipótese de ameaça contra a parlamentar, classificando o ato como uma “forma de protesto” relacionada à omissão do poder público no controle de cães comunitários. Uma mulher, cuja identidade não foi revelada, foi indiciada por injúria real, maus-tratos qualificado de cães e gatos, transporte irregular de resíduos sólidos e poluição por descarte irregular de carcaça animal. O caso foi encaminhado ao Judiciário.

Segundo a investigação, a indiciada era tutora do cão morto, da raça pinscher. O animal teria sido solto no sábado (4) para um passeio diário, quando foi atacado por cães comunitários que vivem nas proximidades de sua residência. A mulher relatou ter tentado tratar o animal, limpando as feridas e ministrando dipirona, mas alegou falta de condições financeiras para um tratamento veterinário devido a gastos significativos com um problema de saúde que ela mesma teria sofrido recentemente. O cão veio a falecer na madrugada de domingo (5) para segunda-feira (6).

Na manhã seguinte, a tutora teria enviado a carcaça do animal à vereadora como “uma forma de protesto pela omissão, pela ótica dela, do poder público em relação à questão dos cães comunitários, que, segundo ela, já teriam atacado e matado outro animal de uma vizinha”, informou a polícia. A hipótese de ameaça contra a parlamentar foi descartada. Nas redes sociais, Deza Guerreiro comemorou o indiciamento: “Uma grande vitória para a causa animal. A mulher que cometeu aquela atrocidade foi indiciada. Agradeço profundamente pela série de investigações. É um primeiro passo e podem ter certeza que todas as medidas que estiverem ao meu alcance para a acusada ser punida eu farei. Uma pessoa que deixou um animal com forte sangramento que ficou agonizando por dois dias não pode ficar impune”.

Entenda o caso

O animal foi entregue na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo à parlamentar Deza Guerreiro (PP). A vereadora, defensora da causa animal, acreditava ser um presente. No entanto, ao abrir a embalagem, deparou-se com o corpo de um cachorro morto enrolado em uma sacola plástica. “Parece ser um corpinho, estou com medo”, afirmou Deza, ao começar a perceber o que havia recebido. O episódio gerou comoção e levou à abertura de investigação pela Polícia Civil.

O caso expõe um problema mais amplo na região: a presença de cães comunitários que, segundo relatos de moradores, já atacaram e mataram outros animais. A falta de políticas públicas efetivas para o controle populacional e assistência veterinária a animais de rua tem gerado tensões entre tutores e poder público. Enquanto a vereadora Deza Guerreiro defende punições mais severas para casos de maus-tratos, a indiciada alega ter agido por desespero diante da falta de recursos e da omissão estatal. O Judiciário agora decidirá sobre as acusações, que incluem penas que podem variar de multa a detenção, dependendo da gravidade dos crimes.

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