O publicitário Thiago Miranda, alvo da 10ª fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal por suspeita de coordenar ataques ao Banco Central e intimidar jornalistas a mando do banqueiro Daniel Vorcaro, recebeu em fevereiro de 2025 o título de “Cidadão Benemérito de Brasília” concedido pela Câmara Legislativa do Distrito Federal. A honraria, destinada a pessoas que tenham prestado relevantes serviços à sociedade do DF ou se destacado em suas áreas de atuação, foi proposta pelo deputado Pepa (PP), então líder do governo do governador Ibaneis Rocha (MDB). A reportagem busca esclarecer os critérios que motivaram a homenagem, enquanto a defesa de Miranda nega qualquer ilegalidade.
A 10ª fase da Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (9), mirou exclusivamente Thiago Miranda, dono da Miranda Comunicação (Agência MiThi) e sócio do portal de notícias Léo Dias. As investigações apontam que ele teria coordenado uma ação em redes sociais para comprometer a credibilidade do Banco Central, além de integrar uma organização criminosa dedicada à intimidação de jornalistas, monitoramento de pessoas ligadas a autoridades e obtenção indevida de informações sigilosas. O caso está diretamente ligado à crise que culminou na liquidação do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.
Esquema de difamação e contratação de influencers
Em janeiro, o portal g1 revelou que influencers foram contratados para difamar o Banco Central. Um criador de conteúdo digital de São Paulo, sob anonimato, afirmou ter recebido R$ 7,8 mil por uma única postagem com críticas à autarquia, publicada em dezembro. O pagamento foi feito pela empresa de Thiago Miranda. Após a publicação, o influencer disse ter recusado uma proposta de contrato de três meses para continuar divulgando conteúdos semelhantes, que previa a produção de oito vídeos mensais e pagamento total de R$ 188 mil, com descontos de comissão.
Em depoimento à PF em março, Miranda negou ter contratado influencers para atacar autoridades ou órgãos de Estado, afirmando que o trabalho era voltado à “reconstrução reputacional da imagem” do dono do Master. A defesa do publicitário divulgou nota em que nega a prática de “qualquer ilegalidade”.
Panorama político e conexões institucionais
A concessão do título a Thiago Miranda ocorre em um contexto de forte tensão entre o sistema financeiro e o Banco Central, com o governo do Distrito Federal sob pressão. O deputado Pepa, autor da proposta, era líder do governo Ibaneis Rocha na Câmara Legislativa, o que levanta questionamentos sobre os vínculos entre o poder público e figuras investigadas por crimes contra a credibilidade de instituições. A operação Compliance Zero já havia mirado outros suspeitos de intimidar jornalistas e atacar o BC, como mostram as fases anteriores, incluindo a 10ª fase, que teve como alvo o empresário suspeito de coagir profissionais de imprensa a mando de Vorcaro.
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