A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (9) a 10ª fase da Operação Compliance Zero, com foco no publicitário Thiago Miranda, apontado como principal articulador de um esquema para comprometer a credibilidade do Banco Central e intimidar jornalistas. A ação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cumpre dois mandados de busca e apreensão em Brasília, sob relatoria do ministro André Mendonça. As investigações apontam que o grupo utilizava informações obtidas ilicitamente — incluindo quebra de sigilo e devassas em dados financeiros, cadastrais e de familiares de jornalistas e concorrentes — para coagir e intimidar profissionais da imprensa e manipular a opinião pública.
Thiago Miranda, dono da Miranda Comunicação (também conhecida como Agência MiThi) e fundador do portal de notícias Léo Dias, é suspeito de coordenar uma ação em redes sociais voltada a atacar a atuação do Banco Central durante o processo que culminou na liquidação do Banco Master. Segundo a PF, o objetivo do grupo seria descredibilizar órgãos públicos e manipular a opinião pública, utilizando influenciadores digitais contratados para difamar a instituição financeira.
Esquema de contratação de influencers
Em janeiro, o portal g1 revelou que um criador de conteúdo digital de São Paulo recebeu R$ 7,8 mil por uma única postagem com críticas ao Banco Central, publicada em dezembro. O pagamento, segundo o influencer, foi feito pela empresa de Thiago Miranda. Após essa publicação, ele afirmou ter recusado uma proposta de contrato de três meses para continuar divulgando conteúdos semelhantes. O contrato previa a produção de oito vídeos por mês e, ao fim do período, com desconto de comissão, o influenciador receberia R$ 188 mil.
Em depoimento à PF em março, Thiago Miranda negou que tenha contratado influencers para atacar autoridades ou órgãos de Estado e afirmou que o trabalho era para a “reconstrução reputacional da imagem” do dono do Master. No entanto, as investigações apontam que o esquema envolvia a contratação de influencers para defender o Banco Master e atacar, de forma coordenada, o Banco Central.
Panorama político e judicial
A 10ª fase da Compliance Zero ocorre em um contexto de crescente tensão entre o sistema financeiro e órgãos reguladores, com o Banco Central sob pressão após a liquidação do Banco Master. A operação também levanta questões sobre a liberdade de imprensa e a proteção de jornalistas, que têm sido alvos de intimidações e monitoramento. O STF, por meio do ministro André Mendonça, tem atuado para coibir práticas de desinformação e ataques a instituições, reforçando a importância da investigação.
Para mais detalhes sobre a operação, acesse: PF mira empresário suspeito de intimidar jornalistas e atacar credibilidade do Banco Central na 10ª fase da Compliance Zero.
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