O governo de Alagoas oficializou, por meio de publicação no Diário Oficial do Estado, a comissão organizadora responsável pelo novo concurso público da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (Adeal). A medida, divulgada pela Tribuna do Sertão, representa o primeiro passo concreto para a realização da seleção, que visa preencher vagas em cargos técnicos e administrativos do órgão, em um momento de crescente demanda por fiscalização e sanidade no campo alagoano.
A comissão, composta por servidores da própria Adeal e de outras secretarias estaduais, terá a atribuição de definir o edital, o cronograma e os critérios de avaliação do certame. A expectativa é de que o concurso atraia candidatos de diversas regiões do Nordeste, especialmente profissionais das áreas de medicina veterinária, agronomia e administração. O reforço no quadro de pessoal é visto como essencial para ampliar a capacidade de inspeção de produtos agropecuários, controle de pragas e doenças, e apoio a pequenos e médios produtores rurais.
Impacto no agronegócio e na economia local
A oficialização da comissão ocorre em um contexto de expansão do agronegócio em Alagoas, que responde por cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. A Adeal desempenha papel estratégico na certificação sanitária de carnes, leite, frutas e grãos, além de atuar na fiscalização de insumos e na prevenção de surtos como o da gripe aviária. Com a carência de fiscais, produtores e indústrias enfrentam atrasos em licenças e embargos, o que impacta a competitividade do setor. O novo concurso, portanto, não é apenas uma reposição de pessoal, mas uma resposta a pressões do setor produtivo e de entidades de classe, como a Federação da Agricultura e Pecuária de Alagoas (Faeal).
Segundo fontes da Tribuna do Sertão, o governo estadual planeja investir em tecnologia e modernização dos processos da agência, mas reconhece que o fator humano é o gargalo atual. A comissão organizadora deverá apresentar um cronograma nos próximos 60 dias, com previsão de provas ainda no primeiro semestre de 2025. O número exato de vagas e os salários ainda não foram divulgados, mas especula-se que o certame contemple cargos de nível médio e superior, com remunerações que podem chegar a R$ 8 mil, incluindo benefícios.
Panorama político e administrativo
A oficialização do concurso da Adeal insere-se em um movimento mais amplo de recomposição de quadros no serviço público alagoano. Nos últimos dois anos, o governo de Paulo Dantas (MDB) autorizou concursos para áreas como segurança pública, educação e saúde, mas o setor agropecuário vinha sendo negligenciado. A pressão de deputados estaduais da base aliada e da oposição, além de entidades do agronegócio, foi determinante para que a gestão priorizasse a Adeal. O anúncio também ocorre em um ano eleitoral municipal, o que pode gerar críticas de uso político da máquina pública, mas o governo nega qualquer motivação eleitoral, destacando a necessidade técnica do concurso.
Além disso, a medida dialoga com a política nacional de defesa agropecuária, que ganhou destaque após a criação do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA) e a adesão de Alagoas ao sistema. A Adeal precisa de mais fiscais para manter a certificação e evitar sanções do Ministério da Agricultura. O concurso, portanto, é visto como um passo para garantir a segurança alimentar e a inserção dos produtos alagoanos em mercados mais exigentes, como o europeu e o asiático.
A comissão organizadora terá o desafio de elaborar um edital que atraia profissionais qualificados, em meio à concorrência com outros estados e com o setor privado. A expectativa é de que o certame seja realizado em parceria com uma banca examinadora de renome, como a Fundação Carlos Chagas (FCC) ou o Cebraspe, para garantir transparência e isonomia. A Tribuna do Sertão continuará acompanhando os desdobramentos e trará em breve mais informações sobre prazos e vagas.
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