PF revela esquema de R$ 119 milhões: servidora da Câmara operava emendas para Valdemar Costa Neto

A Polícia Federal (PF) revelou, em investigação que resultou no bloqueio de R$ 119,2 milhões atribuídos ao ex-deputado Valdemar Costa Neto, que a servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, ocupava posição central em um esquema de manipulação de emendas parlamentares. Segundo relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Tuca era a “personagem principal” de um “arranjo funcional informal” criado para operacionalizar indicações de emendas em nome de Valdemar, que, por não exercer mandato parlamentar, não poderia indicar recursos do orçamento. A funcionária, ex-assessora do deputado federal e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), centralizava e organizava o fluxo das emendas seguindo orientações atribuídas ao ex-deputado.

De acordo com a PF, mensagens obtidas na investigação mostram que Mariângela era acionada por pessoas ligadas a Valdemar Costa Neto, entre elas o advogado Garigham Amarante, apontado como pessoa de confiança do ex-deputado. Em uma das conversas analisadas, Garigham informa à servidora que Valdemar pretendia destinar cerca de R$ 24 milhões para a área do Turismo. Em seguida, segundo a investigação, Mariângela passa a organizar a alocação desses recursos. A PF afirma que o papel da servidora era ocultar a participação de Valdemar nas indicações, alterando listas encaminhadas aos ministérios para fazer constar deputados federais com mandato como solicitantes das emendas. O objetivo, segundo os investigadores, era impedir que o nome de Valdemar aparecesse nos documentos oficiais.

Planilhas e mensagens reforçam a ligação

A investigação afirma que a ligação entre Mariângela e Valdemar também aparece em planilhas apreendidas no celular e na sala de trabalho da servidora. Segundo a PF, os documentos identificavam recursos como “do Valdemar” ou “do VCN”, referência às iniciais de Valdemar Costa Neto. O relatório também cita mensagens de outra servidora, Nara Brum, informando a Mariângela dificuldades técnicas para alterar o destino de recursos e afirmando que “o Valdemar não aceitaria mudanças”, segundo a investigação.

Quem é Tuca e o contexto político

Mariângela Fialek é ex-assessora do deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL). Conhecida como Tuca, trabalhou no gabinete de Lira entre março de 2021 e meados de 2025, quando passou a atuar na liderança do Progressistas (PP) na Casa, o partido de Lira. A funcionária da Câmara foi alvo da Operação Transparência, deflagrada pela PF. O caso ocorre em meio a um cenário de intensa disputa política no Congresso Nacional, onde o controle sobre emendas parlamentares é visto como moeda de troca e instrumento de poder. A revelação do esquema levanta questionamentos sobre a transparência na destinação de recursos públicos e o papel de servidores na intermediação de interesses privados, especialmente em um momento em que o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU) apertam o cerco contra as chamadas “emendas de relator” e outras práticas consideradas opacas. O bloqueio de R$ 119,2 milhões representa um dos maiores valores já registrados em operações do tipo, sinalizando a gravidade das irregularidades apontadas.

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