Operação Transparência: PF aponta Valdemar Costa Neto como líder de esquema de desvio de R$ 119 milhões em emendas parlamentares

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, tornou-se alvo central da Operação Transparência, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para investigar um esquema de desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares. Em decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram suspensos R$ 119 milhões em emendas, e a PF aponta indícios de que Valdemar, mesmo sem mandato parlamentar, atuava de forma clandestina no direcionamento de verbas, configurando os crimes de desvio de dinheiro e associação criminosa.

De acordo com a investigação, Valdemar Costa Neto influenciava, de maneira oculta, a destinação de emendas, utilizando-se de servidores da Câmara dos Deputados como intermediários. As emendas eram tratadas como cotas pessoais privadas, o que caracteriza desvio de finalidade e aplicação irregular de recursos em benefício de terceiro estranho ao parlamento. A PF estima que Valdemar tenha desviado pelo menos 21 emendas, que resultaram em empenhos ou pagamentos na ordem de R$ 119 milhões.

Esquema envolvia servidores da Câmara e planilhas clandestinas

Em relação ao crime de associação criminosa, a Polícia Federal trabalha com a hipótese de que Valdemar Costa Neto associou-se, de maneira contínua entre junho de 2024 e março de 2026, com três servidores da Câmara dos Deputados: Mariângela Fialek, Nara Benedetti Nicolau Brum e Garigham Amarante Pinto. Juntos, segundo os investigadores, eles formaram um “arranjo funcional informal” em que os servidores operavam como intermediários das vontades de Valdemar, agendando reuniões, processando planilhas clandestinas e remanejando emendas ativamente a fim de executar e ocultar os crimes de peculato no âmbito da referida casa legislativa.

A decisão do ministro Flávio Dino, do STF, determinou a suspensão imediata dos R$ 119 milhões em emendas, como parte dos desdobramentos da Operação Transparência. O caso amplia o debate sobre o controle de emendas parlamentares no Congresso Nacional e levanta questionamentos sobre a influência de líderes partidários sem mandato na destinação de recursos públicos. A investigação, que segue em andamento, promete trazer novos desdobramentos sobre o uso de verbas federais e a atuação de servidores públicos em esquemas de desvio.

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