A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminfra) de Maceió concluiu, ao longo do mês de junho, a manutenção do sistema de drenagem em 60 ruas da capital alagoana, conforme balanço divulgado pela própria pasta. A ação, que abrangeu bairros como Ponta Verde, Jaraguá, Farol e Benedito Bentes, envolveu serviços de desobstrução de galerias, limpeza de bocas de lobo e reparos em tubulações, visando reduzir os recorrentes alagamentos que afetam a cidade durante o período chuvoso.
De acordo com a Seminfra, as intervenções foram realizadas por equipes técnicas que atuaram em pontos críticos identificados por demandas da população e por monitoramento próprio. A pasta informou que, somente em junho, foram removidas mais de 12 toneladas de resíduos sólidos das redes de drenagem, incluindo entulho, lixo doméstico e materiais inservíveis que obstruíam o fluxo da água. A medida, embora paliativa, é parte de um cronograma contínuo de manutenção que a secretaria afirma manter ao longo do ano.
No entanto, a abrangência da ação – 60 ruas em uma cidade com mais de 1.000 vias pavimentadas – levanta questionamentos sobre a capacidade de resposta do poder público diante de um problema crônico. Maceió, que enfrenta chuvas intensas entre abril e julho, tem histórico de alagamentos que paralisam bairros inteiros, como ocorreu em maio deste ano, quando precipitações acima da média provocaram transtornos no trânsito e danos materiais em residências e comércios. A situação é agravada pela ocupação desordenada do solo, pela impermeabilização crescente e pela falta de investimentos em macro drenagem.
Especialistas em urbanismo e gestão de riscos consultados pelo Republica do Povo destacam que a manutenção periódica é essencial, mas insuficiente para resolver o problema estrutural. “A limpeza de galerias e bocas de lobo é como tomar um analgésico para uma dor crônica: alivia o sintoma, mas não trata a causa. Enquanto não houver um plano de drenagem urbana integrado, com obras de ampliação da capacidade de escoamento e recuperação de áreas de infiltração, os alagamentos continuarão sendo um drama anual para a população”, avalia o engenheiro civil Carlos Mendes, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
O cenário se insere em um contexto político mais amplo. A gestão municipal, liderada pelo prefeito João Henrique Caldas (PL), o JHC, tem enfrentado pressão de vereadores da oposição e de movimentos populares por respostas mais efetivas. Em sessão na Câmara Municipal no início de julho, o vereador Silvânio Barbosa (MDB) cobrou a apresentação de um cronograma de obras de macro drenagem para os bairros mais afetados, como Tabuleiro do Martins e Clima Bom. A Seminfra, por sua vez, afirma que projetos de grande porte estão em fase de licitação, mas não detalhou prazos ou valores.
Enquanto isso, a manutenção de 60 ruas em junho representa um avanço pontual, mas ainda distante da demanda real. Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que Maceió registrou, nos primeiros seis meses de 2024, um volume de chuvas 18% acima da média histórica, o que torna a drenagem um tema central na agenda pública. A expectativa é que a prefeitura apresente, nos próximos meses, um plano mais robusto, que vá além das ações emergenciais e contemple a resiliência urbana de longo prazo.
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