Pré-campanhas presidenciais se dividem sobre uso de inteligência artificial nas eleições de 2026

As pré-campanhas dos principais pré-candidatos à Presidência da República em 2026 estão divididas quanto ao uso de inteligência artificial (IA) em propagandas e vídeos eleitorais. Enquanto algumas apostam na tecnologia para baratear custos e ampliar alcance, outras preferem limitar seu uso, temendo artificialidade e distanciamento do eleitor em um cenário de desconfiança generalizada em relação à classe política. A discussão ganha contornos éticos e legais, com a legislação eleitoral já exigindo a identificação de conteúdos gerados por IA.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou uma postura crítica em relação ao uso da inteligência artificial como substituta de sua imagem. Em evento na Bahia, em maio, Lula declarou: “Se a gente quiser, pode fazer o Lula artificial, fazer comício, 27 comícios em 27 estados no mesmo horário. Eu to lá, mas não to. Confesso a vocês: um cidadão que aprendeu a ter caráter com a Dona Lindu não aceitará IA para fazer campanha política, porque, se tem uma coisa que um político tem que fazer é olhar nos olhos do povo e permitir que o povo olhe nos dele, para saber quem está mentindo”. O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, reforçou: “Nas redes ou na TV, será sempre o Lula de verdade, falando de verdade”. O partido também publicou um vídeo defendendo o bom senso e o compromisso ético, criticando “a turma bolsonarista” por apresentar “um candidato de mentira em situações de mentira”, em referência ao principal adversário.

Do outro lado, o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) já utiliza inteligência artificial em vídeos publicados nas redes sociais, com conteúdos identificados conforme a legislação eleitoral. Em um deles, o pré-candidato aparece como piloto de um caça combatendo facções criminosas. Segundo um aliado de Flávio, a campanha usará o que a lei permite, e os materiais geram engajamento, embora não necessariamente mais do que outros formatos. O pré-candidato também publica vídeos de agendas e eventos sem o uso da tecnologia.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também deve investir na ferramenta, como já tem feito. A leitura interna é de que a IA é algo simples e barato, acessível para qualquer perfil de campanha. A estratégia contrasta com a de Lula, que vê na tecnologia um risco de artificialidade e distanciamento do eleitor.

Panorama político e impacto nas eleições

A divisão entre as pré-campanhas reflete um debate mais amplo sobre o papel da tecnologia na democracia. Enquanto a IA pode baratear custos e democratizar o acesso a ferramentas de comunicação, também levanta preocupações sobre desinformação e manipulação. A legislação eleitoral de 2026 já exige a identificação de conteúdos gerados por IA, mas a fiscalização e a transparência continuam sendo desafios. A postura de Lula, ao rejeitar a IA como substituta de sua imagem, busca marcar contraste com adversários e reforçar a imagem de autenticidade, enquanto Flávio Bolsonaro e Zema apostam na inovação para engajar eleitores em um ambiente digital cada vez mais competitivo.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *