Ex-chefe de RH da Prefeitura de Cafeara é condenado à perda do cargo por fraudar salários próprios e de colegas

Um ex-chefe do setor de Recursos Humanos da Prefeitura de Cafeara, no interior do Paraná, foi condenado à perda do cargo público após alterar, sem autorização, as gratificações de seu próprio salário e de colegas no sistema de pagamentos do município. A fraude, que envolveu a utilização de documentos falsificados, foi descoberta durante uma auditoria interna e resultou em uma sentença judicial que também incluiu a substituição da pena de prisão por prestação de serviços à comunidade.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Paraná, o servidor, que ocupava o cargo de chefia no RH entre os anos de 2019 e 2021, acessou o sistema de folha de pagamento da prefeitura e promoveu aumentos indevidos nas gratificações de sua própria remuneração e de outros funcionários. As alterações foram feitas sem qualquer respaldo legal ou autorização superior, e os valores foram creditados por meses antes de serem detectados.

A investigação apontou que o ex-chefe do RH utilizou documentos falsos, como portarias e declarações de chefia, para justificar as mudanças no sistema. A fraude totalizou um montante de aproximadamente R$ 150 mil, conforme apurado pela auditoria interna da prefeitura, que identificou discrepâncias nos registros de pagamento e acionou as autoridades.

Condenação e penas aplicadas

Em julgamento realizado no mês de julho de 2026, o Tribunal de Justiça do Paraná condenou o ex-servidor por crime de peculato e falsidade ideológica. A pena de prisão, inicialmente fixada em 4 anos e 6 meses, foi substituída por prestação de serviços à comunidade, além do pagamento de multa e da perda do cargo público. A decisão judicial destacou que o réu agiu com abuso de confiança e violou os princípios da administração pública, causando prejuízo ao erário.

O ex-chefe do RH também foi condenado a ressarcir integralmente os valores desviados, corrigidos monetariamente, e a pagar indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 50 mil. A sentença ainda cabe recurso, mas a perda do cargo já foi efetivada, conforme comunicado pela Prefeitura de Cafeara.

Panorama político e impacto no funcionalismo público

O caso de Cafeara insere-se em um contexto mais amplo de escândalos de corrupção no funcionalismo público brasileiro, que têm gerado debates sobre a necessidade de maior controle e transparência nos sistemas de pagamento de prefeituras e órgãos estaduais. Especialistas em administração pública apontam que fraudes como essa são facilitadas pela falta de auditorias regulares e pela concentração de poder em setores estratégicos, como o RH, que muitas vezes opera sem supervisão adequada.

A condenação do ex-chefe do RH de Cafeara serve como alerta para gestores municipais, que enfrentam desafios para modernizar sistemas de controle interno e evitar desvios. A Prefeitura de Cafeara, em nota, afirmou que já implementou novas medidas de segurança, como a exigência de dupla verificação para alterações salariais e a realização de auditorias trimestrais, para prevenir novos casos.

O Ministério Público do Paraná, por sua vez, destacou que a ação é parte de um esforço mais amplo de combate à corrupção no serviço público, que inclui a investigação de outros casos semelhantes em municípios da região. A sentença, embora não tenha resultado em prisão efetiva, estabelece um precedente importante para a responsabilização de servidores que utilizam o cargo para benefício próprio.

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