O ex-ministro e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), rebateu duramente as declarações do governador Tarcísio de Freitas (PL) contra as pré-candidatas ao Senado por São Paulo, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), classificando os ataques como “agressão gratuita a duas mulheres” e levantando questionamentos sobre a própria origem do governador no estado. A troca de farpas, ocorrida em meio à campanha eleitoral de 2026, expõe as tensões políticas e de gênero que marcam a disputa pelo comando do estado mais populoso do Brasil.
Em entrevista à imprensa nesta terça-feira (7), Haddad afirmou que Tarcísio, que nasceu no Rio de Janeiro e construiu sua carreira política em Brasília, “também não é de São Paulo”, em referência direta ao discurso do governador que questiona a ligação de Marina e Tebet com o estado. “Se o critério é ser paulista de nascimento ou ter atuação consolidada aqui, então Tarcísio também não se enquadra. Ele é um político que foi catapultado para o cargo por alianças nacionais, não por raízes locais”, declarou o petista, em tom de provocação.
Panorama político e embates de gênero
A polêmica teve início quando Tarcísio, em evento de campanha no interior paulista, criticou a presença de Marina Silva e Simone Tebet como candidatas ao Senado pela chapa de Haddad, insinuando que ambas seriam “forasteiras” sem vínculos com São Paulo. A fala foi interpretada por aliados das pré-candidatas como uma tentativa de desqualificá-las por sua origem e gênero, ecoando um padrão de ataques machistas que já havia sido alvo de críticas em episódios anteriores, como o embate entre Tebet e o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que a chamou de “marionete do Lula”.
Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e figura histórica da política nacional, tem base eleitoral no Acre, mas construiu uma carreira de projeção nacional. Simone Tebet, senadora pelo Mato Grosso do Sul e ex-presidenciável, também possui atuação destacada no cenário federal. Ambas foram convidadas por Haddad para compor a chapa ao Senado como forma de ampliar a representatividade feminina e a diversidade regional na disputa paulista. “Elas são mulheres com trajetórias ímpares, que trazem experiência e força para o debate. Atacá-las dessa forma é um desserviço à política e um desrespeito às mulheres”, completou Haddad.
A troca de acusações ocorre em um momento de acirramento da campanha eleitoral em São Paulo, onde Haddad e Tarcísio lideram as pesquisas de intenção de voto, com diferença técnica dentro da margem de erro. O governador, que assumiu o cargo em 2023 após vencer Haddad no segundo turno, tem usado o discurso de “defesa dos interesses paulistas” para se contrapor à chapa petista, que aposta em alianças nacionais para fortalecer a candidatura. Para analistas políticos, o episódio revela a estratégia de Tarcísio de explorar o regionalismo como arma eleitoral, enquanto Haddad busca capitalizar a defesa das mulheres e a crítica ao que chama de “agressão gratuita”.
O embate também reacende o debate sobre a representatividade feminina na política brasileira. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, em 2024, as mulheres ocupavam apenas 17,7% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 15% no Senado, percentuais que colocam o Brasil entre os países com menor participação feminina no Legislativo. A fala de Tarcísio, ao questionar a legitimidade de Marina e Tebet como candidatas paulistas, foi interpretada por movimentos feministas como mais um exemplo de violência política de gênero, que busca silenciar e desqualificar mulheres na arena pública.
Procurada pela reportagem, a assessoria de Tarcísio de Freitas não comentou as declarações de Haddad até o fechamento desta edição. Já as pré-candidatas Marina Silva e Simone Tebet optaram por não responder diretamente às críticas, mas aliadas afirmam que ambas seguem focadas na campanha e na construção de propostas para o estado. Enquanto isso, a disputa pelo Senado em São Paulo promete ser um dos pontos mais acirrados das eleições de 2026, com a chapa de Haddad apostando na diversidade e na experiência nacional de suas candidatas, enquanto Tarcísio tenta consolidar a imagem de defensor dos interesses locais.
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