O estudante de medicina Wallace William da Costa, de 47 anos, que cumpre o 8º período do curso na Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), em Araguaína, enfrenta entraves burocráticos para obter transferência para uma universidade em Minas Gerais, estado onde residem sua esposa e quatro filhas. O processo, iniciado em novembro de 2025 na UFNT, só foi recebido pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em abril de 2026, após mais de 70 dias de paralisação. Wallace, que foi preso aos 18 anos por tráfico de drogas e cumpriu seis anos de pena, alega que a demora pode ser motivada por preconceito. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais confirmou o cumprimento da condenação e a extinção da punibilidade.
Desde que iniciou o curso, Wallace mantém contato com a família apenas durante os períodos de férias. Uma das filhas é autista e necessita de cuidados especiais. “Não tenho condições de trazer para morar em Araguaína, sobrevivo de bolsas e é tudo muito contado para a sobrevivência delas e a minha”, relatou o estudante. Ele destacou que a maior conquista é a família e que tudo o que faz é por elas.
A UFNT informou que o processo de transferência aguarda a manifestação da instituição destinatária para dar continuidade às próximas etapas. Já a UFJF, por meio da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), afirmou que entrou em contato com Wallace para prestar esclarecimentos e atualizar informações sobre o processo. O estudante, no entanto, critica a morosidade: “Um pedido feito em novembro de 2025, e a UFJF só receber em abril de 2026. Um processo ficar parado mais de 70 dias e só ser iniciado após eu comparecer pessoalmente para cobrar”.
Wallace, que concluiu o 8º período no início de julho de 2026, passou a receber convites para palestras sobre sua trajetória de superação. Ele foi aprovado em nove concursos públicos, incluindo cargos na Fiocruz e na Petrobras, e atuou em dois até 2016, quando precisou se dedicar integralmente ao curso de medicina. A situação expõe desafios no sistema de transferência universitária e levanta questionamentos sobre possíveis barreiras enfrentadas por egressos do sistema prisional no acesso à educação superior.
Fonte: ver noticia original

