Incêndio florestal no sul da Espanha deixa 12 mortos e casal britânico é resgatado com queimaduras graves

Um casal britânico que estava de férias no município de Almería, no sul da Espanha, foi resgatado pela Guarda Civil com queimaduras em 40% dos corpos, após ser surpreendido por um incêndio florestal que já deixou ao menos 12 mortos e devastou mais de 6.000 hectares na província. Os dois turistas foram encontrados semiconscientes e gravemente feridos durante uma operação de busca por sobreviventes, na noite de quinta-feira (9), perto da comunidade de Bedar, a mais atingida pelas chamas. O incêndio, considerado um dos mais letais da história da Espanha, também deixou oito pessoas hospitalizadas com queimaduras e dezenas de desaparecidos, a maioria cidadãos britânicos e belgas, além de um espanhol.

De acordo com o sargento Pedro Barre, um dos três policiais envolvidos na operação, a equipe ouviu um som ao longe enquanto vasculhava a paisagem carbonizada, mas inicialmente pensou que fosse um eco. Seguindo o ruído e descendo a encosta, os agentes encontraram o casal em estado crítico e iniciaram um resgate que durou duas horas. “Jamais esqueceremos aquela expressão de surpresa e emoção em seus rostos”, afirmou Barre. O casal foi transportado para a unidade de terapia intensiva do hospital local, onde permanece internado. Acredita-se que eles estivessem fazendo uma caminhada quando foram surpreendidos pelo fogo, que começou a se espalhar rapidamente na quinta-feira.

Investigação e identificação das vítimas

Peritos forenses em Madri estão utilizando amostras dos corpos das vítimas e amostras de DNA das famílias dos desaparecidos para tentar identificar os mortos. A maioria das vítimas fatais é composta por cidadãos britânicos e belgas, além de um espanhol. O incêndio florestal, que já queimou mais de 6.000 hectares, forçou a evacuação de pelo menos 1.400 pessoas de suas casas, enquanto mais de 500 bombeiros e socorristas continuam combatendo as chamas.

Detenções e panorama político

A Guarda Civil confirmou a prisão de duas pessoas neste sábado (11), sob a acusação de “desobediência grave”, por supostamente terem retornado às suas casas contrariando as instruções da polícia, após a evacuação de uma zona de alto risco. Antonio Sanz, chefe de emergências da região da Andaluzia, disse a repórteres que o incêndio florestal permanecia “complexo” e continuava a avançar, mesmo após a diminuição dos ventos fortes. O governo regional da Andaluzia, liderado pelo Partido Popular, tem enfrentado críticas da oposição, que aponta falhas na prevenção e no combate a incêndios florestais, especialmente em áreas turísticas como Almería. O governo central, sob o comando do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), anunciou o envio de recursos adicionais para apoiar as operações de resgate e investigação. A tragédia reacende o debate sobre as mudanças climáticas e a necessidade de políticas mais rigorosas de gestão de riscos ambientais na Espanha, que enfrenta ondas de calor cada vez mais intensas e secas prolongadas.

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