Moraes converte prisão de pastor ligado a Cabral em domiciliar com tornozeleira eletrônica

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, converteu a prisão preventiva do pastor Márcio Poncio em prisão domiciliar, impondo o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares. A decisão, divulgada neste sábado (11), ocorre após a prisão de Poncio na quinta-feira (2) pela Polícia Federal (PF), durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de pagamentos do jogo do bicho e da chamada ‘Máfia do Cigarro’ a agentes públicos no Rio de Janeiro.

Além do monitoramento eletrônico, Moraes proibiu o pastor de manter contato, por qualquer meio, com os demais investigados e de utilizar redes sociais. A decisão também determina a suspensão imediata de eventuais documentos de porte de arma de fogo em seu nome e a entrega dos passaportes. Márcio Poncio, pastor da Igreja da Nuvem e empresário, é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K. Ele foi localizado pelos agentes da PF em um flat na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

Investigação atinge políticos e contraventores

A 5ª fase da Operação Unha e Carne também mirou o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estavam detidos. Segundo a PF, Adilsinho é apontado como uma das principais lideranças do jogo do bicho no estado e investigado como chefe da organização criminosa. Já Poncio é suspeito de ligação com a ‘Máfia do Cigarro’. A operação busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pela nova cúpula do jogo do bicho e de possíveis ramificações do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.

De acordo com a PF, a 5ª fase da Unha e Carne derivou da Operação Fumus, de junho de 2021, que mirava o monopólio de cigarros no Grande Rio. Na ocasião, foram encontradas planilhas com ‘supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais’. As listas chamaram a atenção dos investigadores por possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do RJ. A TV Globo apurou que pelo menos 20 políticos são investigados por receber mesada de Adilsinho. Em abril, o ministro Gilmar Mendes, do STF, afirmou que ouviu de um diretor da PF relatos de que mais de 30 deputados estaduais podem estar envolvidos no esquema.

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