A Polícia Civil investiga uma mulher suspeita de cometer estelionato ao oferecer imóveis para hospedagem de atletas que vão participar de uma corrida de montanha em Passa Quatro (MG). Segundo as denúncias, ela estaria alugando casas e sobrados sem autorização dos proprietários. Nesta sexta-feira (10), a polícia realizou uma operação de busca na casa da suspeita Maíra Lima Carneiro, apreendeu um celular e determinou o bloqueio de cerca de R$ 50 mil que estavam em uma conta ligada a ela. Pelo menos 32 pessoas afirmam ter sido prejudicadas.
As vítimas relatam que o prejuízo não foi apenas financeiro, mas também emocional, já que muitos atletas estavam se preparando para uma prova considerada de alta dificuldade. “É um golpe muito grande, uma coisa muito difícil. A gente está preparando para a prova, psicologicamente a prova é muito dura. É uma situação, uma prova muito forte, mas a gente acaba sofrendo isso aí, uma coisa que não é da gente”, disse Douglas Mendes Santos, empresário. Douglas mora em São José dos Campos (SP) e faz parte de um grupo de atletas de corrida de montanha que denunciou o suposto golpe. Segundo os participantes, o esquema teria sido coordenado pela funcionária pública.
Esquema de aluguel sem autorização
De acordo com os relatos, ela oferecia casas e sobrados com localizações próximas à largada da prova La Mision, com pacotes que variavam de R$ 1,5 mil a mais de R$ 8 mil, sem que os proprietários dos imóveis soubessem das negociações. Ainda segundo as vítimas, Maíra enviava fotos das acomodações e emitia contratos para os atletas. “Depois que você faz a inscrição, você vai atrás da hospedagem. Como a prova é muito grande, a rede hotelaria acaba não conseguindo suprir os atletas. A gente vai procurando lá o pessoal das casas, o pessoal da cidade começa a fazer o aluguel das próprias casas”, contou Douglas.
Descoberta da fraude
A possível fraude teria sido descoberta depois que um dos corredores foi até Passa Quatro para realizar um treino preparatório nas trilhas da região. Ele teria aproveitado a visita para conhecer o imóvel que havia alugado. Segundo os relatos, ao conversar com o proprietário, descobriu que o local nunca havia sido colocado para locação. Além dos atletas, moradores que ofereceram os próprios imóveis também afirmam ter sido prejudicados. Uma proprietária, que não teve o nome divulgado, relatou à polícia que teve sua casa anunciada sem consentimento.
Panorama político e social
O caso ocorre em um contexto de crescimento do turismo esportivo em cidades do interior de Minas Gerais, que atraem eventos de grande porte como a corrida La Mision. A falta de fiscalização sobre anúncios de hospedagem e a vulnerabilidade de atletas que viajam para competições têm sido alvo de críticas por parte de associações de defesa do consumidor. A Polícia Civil segue com as investigações para identificar possíveis cúmplices e dimensionar o prejuízo total causado às vítimas. A suspeita pode responder por estelionato, cuja pena pode chegar a 5 anos de reclusão, além de multa.
Fonte: ver noticia original

