Do preconceito ao topo das paradas: funk ganha festival inédito em Bauru e celebra força do gênero no interior paulista

O funk, gênero musical que nasceu nas periferias e hoje domina as paradas de sucesso, tem um dia próprio para celebrar sua trajetória de superação. Neste domingo (12), é comemorado o Dia Nacional do Funk, e a data ganha contornos especiais no interior paulista: em 22 de agosto, a cidade de Bauru recebe o festival inédito Funk In Bauru, evento de oito horas que reúne quatro dos maiores nomes do ritmo no país. A iniciativa, idealizada pelo produtor Gustavo Cotrim, representa um marco para o gênero, que por décadas enfrentou estigmatização e ataques, mas hoje ocupa o topo das plataformas de streaming e movimenta milhões de fãs.

O festival, que terá um “esquenta” em 25 de julho, foi concebido após os organizadores identificarem uma lacuna no centro-oeste paulista. “O centro-oeste paulista carecia de eventos dedicados exclusivamente a essa vertente com a estrutura de um grande festival. O projeto surge para suprir essa demanda e para profissionalizar essa entrega em Bauru e região”, afirmou Gustavo Cotrim ao g1. O line-up é 100% voltado ao funk, com os MCs Rodolfinho, Joãozinho VT, Kako e Tuto, nomes que acumulam milhões de streams e que, segundo Cotrim, “mostram que o gênero tem força para sustentar um festival inteiro sozinho, sem precisar estar ‘escondido’ como uma atração secundária em eventos de outros estilos”.

Funk no interior: demanda e profissionalização

O evento chega em um momento de consolidação do funk como fenômeno nacional. Dados recentes do Spotify mostram que o gênero desbancou o sertanejo e se tornou maioria no Top 10 da plataforma, refletindo uma mudança nos hábitos de consumo musical no Brasil. Para Gustavo Cotrim, a realização do festival em Bauru é um reconhecimento da força do ritmo também fora dos grandes centros. “Trazer um line-up focado, com nomes fortes como Joãozinho VT, Tuto, Kako e Rodolfinho mostra que o gênero tem força para sustentar um festival inteiro sozinho”, destacou o produtor. A expectativa é alta entre os fãs da região, que, segundo Cotrim, “consomem muito o trabalho desses quatro artistas”.

Preconceito e resistência: a luta do funk por reconhecimento

Apesar do sucesso atual, o funk ainda carrega as marcas de décadas de marginalização. Artistas como MC Carol, no Rio de Janeiro, e MC Hariel, em São Paulo, frequentemente relatam ataques sofridos pelo gênero, associado a preconceito de classe e racismo. Em “Delação Premiada”, hit de 2016, MC Carol aborda a brutalidade policial e a criminalização do funk, temas que ecoam a realidade de muitos artistas. O festival em Bauru, ao dar protagonismo exclusivo ao ritmo, representa uma virada simbólica: o que antes era alvo de repressão hoje ocupa palcos estruturados e atrai investimento privado. O evento não apenas celebra a música, mas também a resistência cultural de comunidades periféricas que transformaram o funk em um dos maiores fenômenos da música brasileira contemporânea.

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