Feminicídio no Recife: ex-companheiro rompe tornozeleira eletrônica e mata mulher a facadas no Sítio dos Pintos

Uma mulher foi morta a facadas no bairro de Sítio dos Pintos, Zona Norte do Recife, no sábado (11), após o ex-companheiro romper a tornozeleira eletrônica e invadir a casa dela. Valdelene Guedes Alcoforado, de 43 anos, conhecida como “Val”, foi assassinada por Alexsandro Vaz da Silva, também de 43 anos, que foi preso em flagrante pela polícia perto do local do crime. O caso expõe falhas no sistema de monitoramento de agressores e reacende o debate sobre a eficácia das medidas protetivas no combate ao feminicídio em Pernambuco.

Segundo uma parente da vítima, Valdelene e Alexsandro mantiveram um relacionamento por alguns meses, mas ela havia terminado a relação. No dia 16 de junho, a vítima denunciou o ex-companheiro por violência doméstica e conseguiu uma medida protetiva, o que levou Alexsandro a usar tornozeleira eletrônica. Apesar da proteção judicial, na quinta-feira (9), ele invadiu a casa dela, ateou fogo a várias roupas e quebrou objetos do imóvel, incluindo celulares, conforme relato da familiar.

Detalhes do crime e a falha na proteção

No sábado (11), Valdelene estava gravando um áudio para uma parente quando Alexsandro invadiu a residência. “Minha mãe escutou tudo, ele arrombando, tudo. Depois, ficou em silêncio”, disse a familiar, que preferiu não se identificar. O agressor desferiu golpes de faca no tórax da vítima, que morreu no local. Alexsandro foi encontrado pela polícia nas proximidades e confessou o assassinato. Ele foi encaminhado a audiência de custódia, onde a Justiça decidirá se ele responde ao processo em liberdade ou permanece preso. Até a última atualização desta reportagem, a audiência não havia ocorrido.

Valdelene deixa três filhos: uma jovem de pouco mais de 20 anos, uma menina de 8 anos e um garoto de 6 anos. O sepultamento foi marcado para as 11h da segunda-feira (13), no Cemitério da Várzea, na Zona Oeste do Recife. O caso reforça a vulnerabilidade de mulheres que, mesmo com medidas protetivas, continuam sob risco de agressão letal.

Panorama do feminicídio em Pernambuco e no Brasil

De janeiro a junho deste ano, 37 mulheres foram vítimas de feminicídio em Pernambuco. Ao longo de 2025, 88 crimes do tipo foram registrados no estado. Os números refletem uma realidade nacional: o Brasil registra altas taxas de feminicídio, com falhas recorrentes na aplicação de medidas protetivas e no monitoramento de agressores. O caso de Valdelene é mais um exemplo de como a tornozeleira eletrônica, muitas vezes, não impede a reincidência. A violência doméstica em Arapiraca, onde um homem ameaçou a companheira de morte e agrediu o enteado, e o feminicídio no RS, onde um ex-namorado se entregou após matar uma jovem a tiros em Lajeado, são outros episódios que ilustram a gravidade do problema.

No Recife, mulheres vítimas de violência podem buscar acolhimento e orientação em centros especializados, como o Centro de Referência Clarice Lispector, na Rua Doutor Silva Ferreira, 122, Santo Amaro (atendimento 24 horas), e os Serviços Especializados e Regionalizados (SER) Clarice Lispector, na Rua Padre Lemos, 675, Casa Amarela, e na Avenida Recife, 700, Areias (atendimento de segunda a domingo, das 7h às 19h). Também há Salas da Mulher em cinco unidades do Compaz: Ariano Suassuna (Abdias de Carvalho), Eduardo Campos (Alto Santa Terezinha), Dom Hélder Câmara (Ilha Joana Bezerra), Professor Paulo Freire (Cohab) e Atriz Leda Alves (Pina). Além disso, existe um Plantão WhatsApp para suporte. O caso de Valdelene, que fingiu estar morta para sobreviver a um ataque a facadas do ex-companheiro no interior da Bahia, mostra que a luta contra o feminicídio exige ações coordenadas e efetivas.

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