Após quatro dias de combate intenso, o incêndio que atingiu o sul da Espanha, na província de Almería, na Andaluzia, foi estabilizado neste domingo (12), segundo informou o presidente do governo da Andaluzia, Juan Manuel Moreno Bonilla. As chamas, iniciadas na última quinta-feira (9), deixaram 13 mortos, forçaram quase 1.500 moradores a deixarem suas casas e destruíram milhares de hectares em uma região marcada por ravinas e residências isoladas. Os evacuados começaram a retornar neste domingo, de forma escalonada, enquanto as autoridades ainda lidam com a imprecisão no número de desaparecidos e aguardam a conclusão das autópsias e da identificação dos corpos.
O fogo avançou com velocidade impressionante, chegando a 100 metros por minuto, carbonizando carros e destruindo áreas inteiras. As chamas consumiram cerca de 7.000 hectares, o equivalente a 380 estádios do Maracanã, em um perímetro de mais de 40 quilômetros. Condições meteorológicas favoráveis, com ventos menos intensos e maior umidade, permitiram que os bombeiros começassem a controlar o que já é considerado um dos incêndios mais letais da história recente da Espanha. Moreno Bonilla classificou o momento como “o princípio do fim do incêndio terrível” e afirmou que os moradores desalojados poderão retornar “de maneira escalonada”. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, deve visitar a região nesta segunda-feira (13).
Vítimas e contexto internacional
A maioria dos mortos era formada por estrangeiros, segundo as autoridades locais. A região atrai muitos moradores de outros países, principalmente britânicos, que escolhem o leste da Andaluzia para viver, manter casas de férias ou passar temporadas, atraídos pelo clima ensolarado e pela tranquilidade do local. O fogo cercou algumas das vítimas enquanto elas tentavam escapar, em uma área de difícil acesso. O Centro de Integração de Dados informou que o processo de identificação dos corpos foi atrasado porque “a coleta de amostras dos familiares está sendo complexa, já que eles estão viajando de outros países”.
Panorama político e reações
O incêndio na Andaluzia ocorre em um contexto de crescente preocupação com eventos climáticos extremos na Europa, que têm sido associados às mudanças climáticas e à falta de investimentos em prevenção. A tragédia gerou comoção nacional e internacional, com o governo espanhol prometendo apoio às vítimas e às famílias dos desaparecidos. A visita do primeiro-ministro Pedro Sánchez à região deve reforçar o compromisso com a recuperação das áreas afetadas e com a adoção de medidas para evitar novas catástrofes. A oposição, por sua vez, cobra maior transparência sobre as causas do incêndio e sobre a eficácia dos sistemas de alerta e evacuação.
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