Projeto ‘Rock in Gil’ revisita obra de Gilberto Gil e defende que artista sempre teve espírito rock, diz Larissa Luz

Quando lançou o espetáculo Rock in Gil, a cantora Larissa Luz não pretendia transformar Gilberto Gil em um artista de rock, mas sim evidenciar uma característica que, segundo ela, sempre esteve presente na obra do músico, embora nem sempre reconhecida pelo público. Com releituras de faixas como Pessoa Nefasta, Punk da Periferia, Rock do Segurança e uma versão de Realce que ganha guitarras sem perder o balanço característico, o projeto revisita diferentes momentos da carreira de Gil para defender a tese de que ele nunca esteve distante do rock. Em entrevista ao g1, Larissa Luz resume: ‘O espetáculo não tenta levar Gil para o rock. Na verdade, ele já estava lá. Eu só resolvi ampliar esse volume.’

Celebrado mundialmente em 13 de julho, o rock costuma ser associado a guitarras, bandas e grandes festivais, mas para Larissa Luz a essência do gênero está em outro lugar. ‘Antes de ser gênero musical, o rock representa uma postura diante do mundo. Uma inquietação, um questionamento, uma liberdade, uma ruptura. E Gil sempre carregou isso, mesmo quando não fazia uma música que convencionalmente fosse chamada de rock’, afirma a cantora. Segundo ela, é justamente essa liberdade que torna a obra de Gil um território difícil de enquadrar em rótulos. ‘O espetáculo parte da ideia de que a rebeldia também pode dançar, pode ter balanço, pode nascer do tambor’, completa.

A proposta aparece ao longo de todo o repertório. Em Realce, por exemplo, a guitarra assume protagonismo, mas sem apagar a pulsação dançante que transformou a música em um dos maiores sucessos de Gil. A releitura sintetiza a ideia central do espetáculo: mostrar que o rock pode dialogar com diferentes ritmos sem perder sua essência — e que talvez Gil já fizesse isso muito antes de essa mistura parecer natural. O show já passou por Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife e Porto Alegre.

Ao revisitar esse repertório, Larissa Luz diz que passou a enxergar ainda mais a ousadia presente na obra do artista. ‘Eu descobri o quanto ela é radical. Às vezes, a delicadeza faz a gente esquecer o tanto de ousadia que existe ali’, afirma. Para a cantora, Gil sempre rompeu fronteiras musicais muito antes de isso se tornar uma característica valorizada da música brasileira. ‘Ele sempre esteve propondo encontros improváveis, quebrando hierarquias musicais, misturando referências que pareciam distantes’, conclui.

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