Vereador de Frutal é denunciado por tráfico de influência ao furar fila do SUS para eleitores em MG

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou à Justiça o vereador Edivalder Fernandes da Silva, de Frutal, por tráfico de influência, após investigação que revelou o uso do prestígio do cargo para garantir atendimento prioritário a eleitores em cirurgias do Sistema Único de Saúde (SUS), burlando a fila pública e comprometendo a gestão do sistema. A denúncia, apresentada pela 3ª Promotoria de Justiça de Frutal na quinta-feira (9), aponta que os fatos ocorreram entre setembro e outubro de 2024, quando o parlamentar intermediou o acesso de três moradores de Frutal a procedimentos ortopédicos e de alta complexidade realizados em um hospital de Araguari.

Segundo o MPMG, os pacientes foram encaminhados para consultas e cirurgias sem seguir o fluxo oficial de regulação do SUS. A Promotoria afirma que a Secretaria Municipal de Saúde de Frutal não tinha pactuação com Araguari nem com a unidade hospitalar para realizar esses procedimentos, e que os pacientes já aguardavam atendimento pela rede regional oficial. Para o Ministério Público, a atuação do parlamentar alterou a ordem da fila pública de saúde e prejudicou outros usuários que aguardavam atendimento especializado. “O uso de influência política para obter atendimento fora dos critérios técnicos compromete os princípios da isonomia, da universalidade e da equidade que regem o SUS”, sustenta a denúncia.

O caso ganha relevância em um contexto político mais amplo, onde episódios de tráfico de influência e corrupção eleitoral têm sido recorrentes em diferentes regiões do país. Em Santa Catarina, por exemplo, um esquema de corrupção eleitoral trocava cocaína por votos, conforme reportagem do portal República do Povo. Já em Alagoas, a eleição de 2026 é apontada como a mais cara da história, mobilizando pré-campanhas antecipadas. Em Roraima, a troca de partido e a pré-candidatura ao Senado agitam o cenário político, com desdobramentos nacionais e jurídicos. Esses exemplos demonstram como a influência política pode ser usada para obter vantagens indevidas, seja na saúde pública ou em outros setores.

O vereador Edivalder Fernandes da Silva negou qualquer vínculo com a instituição de saúde onde os procedimentos teriam sido realizados. “Eu nunca sequer coloquei os pés em Araguari e não conheço nem onde fica essa unidade. O que fiz foi apenas indicar o serviço a pessoas que precisavam de atendimento, com a intenção de ajudar. Estou muito tranquilo, porque não respondo por nenhum crime de corrupção. Nunca tive qualquer relação com a instituição além dessas indicações. Eu nem sei o nome de lá”, afirmou. Ao g1, o Hospital Universitário Sagrada Família, citado na denúncia, também negou qualquer relação com o vereador e afirmou que apenas recebe os pacientes regulados que são direcionados à instituição pelo SUS.

O tráfico de influência é caracterizado quando alguém usa, ou promete usar, sua influência sobre uma autoridade ou órgão público para conseguir uma vantagem indevida para outra pessoa, geralmente em troca de algum benefício ou prestígio. A denúncia do MPMG ressalta que a atuação do parlamentar comprometeu os princípios fundamentais do SUS, como a isonomia, a universalidade e a equidade, que garantem acesso igualitário à saúde para todos os cidadãos. O caso segue agora para análise da Justiça, que decidirá sobre a procedência das acusações e as possíveis penalidades.

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