O coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), senador Rogério Marinho (PL-RN), criticou nesta segunda-feira (13) a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu Flávio de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por 90 dias. A medida, que vigora até 11 de outubro, após o primeiro turno das eleições de 2026, foi classificada por Marinho como ‘autoritária’ e ‘desproporcional’, em nota oficial. O parlamentar afirmou que a decisão tenta tornar Jair Bolsonaro ‘incomunicável’ e representa uma ‘interferência no jogo político’, reforçando a percepção de perseguição ao ex-presidente e à oposição.
A suspensão das visitas foi determinada por Moraes após a leitura, por Flávio Bolsonaro, de uma carta do pai durante uma transmissão em rede social no sábado (11). O ministro considerou que a ação desrespeitou a decisão que proíbe o ex-presidente de utilizar redes sociais ‘diretamente ou por intermédio de terceiros’, caracterizando desvio de finalidade do direito de visita. Com a proibição, Flávio e Jair Bolsonaro não poderão se ver até meados de outubro, período que inclui a realização do primeiro turno das eleições 2026, marcado para 4 de outubro. Além disso, Moraes determinou um prazo de 48 horas para que a defesa de Bolsonaro esclareça se ele tinha ciência de que a carta seria divulgada nas redes sociais.
Em sua nota, Rogério Marinho comparou a situação de Jair Bolsonaro à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando esteve preso entre 2018 e 2019. Marinho afirmou que Lula recebeu visitas, manteve interlocução política com aliados, divulgou cartas públicas e concedeu entrevistas durante o período em que esteve preso. ‘Não buscamos privilégios, mas igualdade perante a lei’, declarou o senador, acrescentando que impedir o contato entre pai e filho após a divulgação de uma carta configura uma tentativa de silenciamento e representa uma prática ‘própria de regimes autoritários’.
Panorama político e impactos para 2026
A decisão de Moraes ocorre em um momento de intensa movimentação política para as eleições de 2026, com a pré-campanha de Flávio Bolsonaro buscando reanimar a base bolsonarista após o escândalo ‘Dark Horse’. Enquanto isso, a equipe do presidente Lula avalia que o Centrão deve ficar neutro na eleição presidencial, orientando o presidente a acenar ao eleitorado de centro. A crise política se agrava com a carta de Bolsonaro, que expõe um racha familiar e tenta conter a crise às vésperas da eleição. Paralelamente, Flávio Bolsonaro recuou de uma nova reforma da Previdência e prometeu manter a valorização do salário mínimo, em uma tentativa de ampliar seu apelo eleitoral. Nos oito maiores colégios eleitorais do país, tanto Lula quanto Flávio enfrentam impasses significativos, o que torna o cenário ainda mais volátil.
A decisão de Moraes, ao restringir a comunicação entre Flávio e Jair Bolsonaro, pode influenciar a estratégia de campanha da oposição, que depende da figura do ex-presidente para mobilizar sua base. Enquanto isso, o governo Lula observa o desenrolar dos acontecimentos, ciente de que a polarização entre os dois campos pode definir o resultado das urnas em 2026. A medida também reacende o debate sobre os limites do poder judiciário e a igualdade de tratamento entre lideranças políticas, temas que devem dominar o noticiário nos próximos meses.
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