Feminicídio em Maceió: Mulher Morre Dias Após Ser Esfaqueada pelo Companheiro e Receber Alta Hospitalar

Uma nova tragédia expõe as fragilidades do sistema de proteção a mulheres em situação de violência doméstica em Alagoas. Stephanye Thauany Souza da Silva, de 29 anos, morreu dias após receber alta do Hospital Geral do Estado (HGE), onde ficou internada por cerca de 15 dias depois de ser esfaqueada pelo companheiro dentro de casa, no bairro do Canaã, em Maceió. O suspeito, que não teve o nome divulgado, é monitorado por tornozeleira eletrônica e permanece foragido até o momento.

De acordo com o relato da mãe da vítima, Djane Souza, de 47 anos, Stephanye deixou o HGE, mas logo apresentou infecção urinária e anemia. Na manhã do dia 13 de julho, a pressão arterial da jovem subiu e ela passou mal. Djane, que estava no trabalho, acompanhou a filha pelas câmeras de segurança de casa e, ao chegar, a levou para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Santa Lúcia, onde foi medicada e liberada.

Horas depois, por volta das 19h20, Stephanye voltou a passar mal enquanto tomava banho. “Ela caiu, bateu o rosto no chão e cortou o supercílio. Quando cheguei ao banheiro, ela já estava com os lábios arroxeados e o corpo ficando frio. Ela sofreu uma parada cardíaca”, lamentou Djane. A vítima foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas, a caminho do HGE, sofreu mais duas paradas cardiorrespiratórias e não resistiu. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML); a causa da morte ainda não foi divulgada, assim como informações sobre velório e sepultamento.

O crime e a impunidade

O ataque ocorreu no dia 4 de junho, quando Stephanye foi esfaqueada dentro de casa. A Polícia Militar encontrou a vítima desacordada. Durante o atendimento do Samu, ela recuperou a consciência e afirmou que o agressor era o próprio companheiro. O pai do suspeito esteve no local e confirmou o relacionamento, além de informar que o filho tinha antecedentes criminais e usava tornozeleira eletrônica. Até o fechamento desta reportagem, o suspeito não foi preso e não há informações sobre sua localização.

O caso de Stephanye se soma a uma triste estatística: Alagoas registra altos índices de violência doméstica e feminicídio, com falhas recorrentes na aplicação de medidas protetivas e na fiscalização de agressores monitorados. A morte da jovem, após receber alta hospitalar, evidencia a necessidade de um acompanhamento multidisciplinar para vítimas de violência, que muitas vezes enfrentam sequelas físicas e psicológicas mesmo após o atendimento emergencial.

Em um panorama mais amplo, o episódio reforça a urgência de políticas públicas integradas que garantam desde a notificação compulsória de casos de violência até o suporte pós-alta, incluindo abrigamento seguro e assistência psicossocial. Enquanto isso, a impunidade do agressor – que segue em liberdade mesmo com tornozeleira – expõe a fragilidade do sistema de justiça e a necessidade de maior rigor na fiscalização de medidas cautelares.

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