MPTO investiga psicóloga por supostamente morar em posto de saúde e usar trajes de banho durante atendimento

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) instaurou investigação para apurar denúncia de que uma psicóloga contratada temporariamente pela Prefeitura de Aparecida do Rio Negro, na região central do estado, estaria utilizando uma Unidade Básica de Saúde (UBS) como moradia e circulando com trajes de banho na área de atendimento. A portaria publicada pelo MPTO, com base em relato anônimo, aponta possíveis irregularidades no uso do espaço público e na conduta profissional, o que pode configurar violação de normas sanitárias e éticas.

A denúncia, recebida pelo MPTO, detalha que a profissional, cujo nome não foi divulgado, estaria residindo no interior da UBS, utilizando o local para pernoite e higiene pessoal, além de transitar entre os consultórios e corredores vestindo trajes de banho, como biquínis e sungas. A situação, segundo a portaria, teria ocorrido durante o expediente e em horários de atendimento ao público, gerando constrangimento entre pacientes e funcionários. A investigação busca confirmar se houve desvio de finalidade do imóvel público e se a conduta fere o Código de Ética dos Psicólogos, que exige postura profissional e respeito ao ambiente de trabalho.

Impactos na gestão pública e na saúde

O caso levanta questões sobre a fiscalização de contratos temporários na saúde pública do Tocantins. A Prefeitura de Aparecida do Rio Negro, responsável pela contratação da psicóloga, ainda não se manifestou oficialmente, mas a investigação do MPTO pode resultar em recomendações para reforçar o controle sobre o uso de unidades de saúde. Especialistas apontam que a falta de moradia adequada para profissionais contratados em regiões remotas é um problema recorrente, mas a utilização de uma UBS como residência é considerada irregular, pois compromete a segurança sanitária e a privacidade dos pacientes.

Além disso, a circulação com trajes de banho em ambiente de atendimento clínico pode expor a unidade a riscos de contaminação e desrespeitar normas de biossegurança. O Conselho Regional de Psicologia do Tocantins (CRP-TO) foi notificado e deve acompanhar o caso, podendo abrir processo ético contra a profissional, caso as denúncias sejam confirmadas. A situação também reacende o debate sobre as condições de trabalho de profissionais temporários na saúde, que muitas vezes atuam em localidades distantes sem suporte habitacional ou logístico adequado.

Panorama político e administrativo

O episódio ocorre em um contexto de tensão na gestão municipal de Aparecida do Rio Negro, cidade com cerca de 4 mil habitantes, que enfrenta desafios na manutenção de serviços básicos de saúde. A prefeitura, sob comando do prefeito João Batista da Silva (MDB), tem sido alvo de críticas da oposição local por supostas falhas na supervisão de contratos e na infraestrutura das UBS. A investigação do MPTO pode ampliar a pressão sobre o Executivo municipal, que já responde a outras ações civis públicas por irregularidades na área da saúde.

No âmbito estadual, o governo do Tocantins, liderado pelo governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), tem promovido auditorias em contratos temporários da saúde, mas o caso de Aparecida do Rio Negro expõe a necessidade de maior capilaridade na fiscalização. O MPTO, por meio da Promotoria de Justiça de Porto Nacional, responsável pela investigação, deve ouvir testemunhas e analisar imagens de câmeras de segurança da UBS nos próximos dias. A psicóloga, que não foi localizada para comentar, pode ser convocada a prestar depoimento e, se comprovadas as irregularidades, responder por improbidade administrativa e violação de normas sanitárias.

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