O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta terça-feira (14) o pedido da defesa do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar para que o político seja julgado em sessão presencial, mantendo o caso na pauta virtual da Primeira Turma. A decisão ocorre em meio a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Bacellar e outros acusados pelo crime de obstrução de investigação, com alegações de vazamento de informações sigilosas sobre uma investigação de tráfico de armas e drogas para a organização criminosa Comando Vermelho (CV).
O julgamento da denúncia foi marcado para a sessão virtual da Primeira Turma, que será realizada entre os dias 14 e 21 de agosto. Após a definição da data, a defesa de Bacellar solicitou que o caso fosse analisado presencialmente, argumentando que o formato eletrônico — no qual os ministros depositam seus votos sem debate — prejudica o trabalho de defesa. No entanto, Moraes rejeitou o pedido, destacando que a forma de julgamento é uma prerrogativa do relator, prevista no regimento interno do STF, e que não compromete a análise dos argumentos da defesa.
“Caso tenha interesse em fazer sustentação oral, a parte poderá, desde que observado o rito, encaminhá-la por meio eletrônico, após a publicação da pauta e até 48 horas antes de iniciado o julgamento em ambiente virtual”, afirmou Moraes em sua decisão. A Primeira Turma da Corte, responsável pelo caso, é composta também pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
O caso ganha relevância no cenário político nacional, pois envolve um ex-presidente do Legislativo fluminense e alegações de conexão com o crime organizado. A denúncia da PGR, apresentada em março, aponta que os acusados teriam vazado informações sigilosas para o Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do país, em uma investigação de tráfico de armas e drogas. A decisão de Moraes reafirma a tendência do STF de priorizar julgamentos virtuais para agilizar processos, mas também levanta debates sobre o direito de defesa em casos de alta complexidade.
Em paralelo, outras movimentações no STF marcam o período, como o pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para autorizar a comunicação entre Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro, e a iniciativa do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) de lançar uma história em quadrinhos para orientar idosos contra desinformação. Esses episódios refletem a diversidade de pautas na Corte, que vão desde questões de segurança pública até combate à desinformação eleitoral.
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