A tentativa de sequestro de uma recém-nascida dentro da Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, deixou marcas que a mãe da bebê, uma adolescente de 14 anos, afirma que nunca vai esquecer. Moradora de Castelo do Piauí, a jovem percorreu quase 200 quilômetros até a capital em busca de atendimento e viveu momentos de desespero após descobrir que a filha havia sido levada por uma técnica de enfermagem, que acabou impedida de deixar o hospital graças à desconfiança de uma tia da criança. O caso, ocorrido na segunda-feira, é investigado pela Polícia Civil como tentativa de sequestro de menor de idade e reacende o debate sobre a segurança em unidades de saúde no país.
A mãe contou que a chegada da filha já havia sido cercada por desafios. A gravidez aconteceu na adolescência e, segundo ela, a maternidade foi sendo construída aos poucos. “Não foi planejado, mas, a partir do momento que eu comecei a acompanhar as consultas, a ouvir o coração dela, eu fui acreditando que ia ser mãe”, disse. A jovem resumiu o episódio com palavras de dor: “Foi tudo ruim. Não vou esquecer nunca”.
Na segunda-feira, a recém-nascida estava internada na maternidade quando uma técnica de enfermagem, que estava de folga, informou à família que levaria a bebê para realizar exames de rotina, entre eles o teste do pezinho. A tia da criança estranhou a atitude da funcionária ao vê-la entrar em um banheiro com uma bolsa grande e sair usando outras roupas. Desconfiada, ela seguiu a técnica e encontrou a menina escondida dentro da bolsa antes que a suspeita deixasse o hospital. A ação impediu que o crime fosse consumado. Para a mãe, a rápida intervenção da irmã foi decisiva: “Se não fosse por ela, hoje eu não sei nem o que seria de mim. Só uma mãe sabe a dor que é colocar uma criança no mundo, ver o rostinho dela e ouvir o primeiro chorinho”, afirmou.
Investigação e panorama político
A Polícia Civil investiga o caso como tentativa de sequestro de menor de idade. Como não houve prisão em flagrante, a Justiça decretou a prisão preventiva da técnica de enfermagem. Na casa da suspeita, os investigadores encontraram um quarto preparado para receber um bebê, com berço, banheira, fraldas e roupas infantis. Segundo a polícia, familiares acreditavam que ela estivesse grávida, embora ela nunca tivesse apresentado exames que comprovassem a gestação. Em nota, a defesa informou que a técnica de enfermagem foi diagnosticada com sintomas esquizofrênicos, fazia uso de medicamentos psiquiátricos e apresenta comprometimento para compreender a gravidade dos fatos investigados. A Polícia Civil afirma, no entanto, que as investigações apontam que ela agiu sozinha e que, até o momento, não há elementos que afastem sua responsabilidade.
O episódio ocorre em um contexto de crescente preocupação com a segurança em maternidades brasileiras, especialmente após casos recentes de sequestro de recém-nascidos em outras regiões. A Maternidade Dona Evangelina Rosa, uma das maiores do país, enfrenta questionamentos sobre seus protocolos de acesso e identificação de funcionários. Especialistas em segurança hospitalar apontam que a falta de barreiras físicas e de sistemas de monitoramento em tempo real facilita ações criminosas. O caso também levanta debates sobre a saúde mental de profissionais da saúde, com a defesa da suspeita alegando transtornos psiquiátricos, enquanto a polícia busca esclarecer se houve falha na supervisão hospitalar. A repercussão do caso pressiona o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais a revisarem normas de segurança, enquanto a família da vítima aguarda o desfecho judicial.
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