Caminhoneiros encerram paralisação no Porto de Santos após aprovação da MP do Frete pelo Senado

Os caminhoneiros autônomos da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, encerraram a paralisação no Porto de Santos após o Senado Federal aprovar a Medida Provisória (MP) 1.343, conhecida como MP do Frete, que altera as regras do piso mínimo do transporte rodoviário de cargas. Agora, a proposta segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento, provocado pelo Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam-Santos), buscava pressionar o Senado a colocar em votação a medida que foi aprovada pela Câmara dos Deputados e perderia a validade nesta quinta-feira (16).

O presidente da entidade, Luciano Santos de Carvalho, agradeceu todos os representantes da categoria, bem como associações que prestaram apoio, por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais. “Agora, o caminhoneiro rodoviário vai ter um frete digno do Brasil inteiro, não é só de Santos, graças a vocês e ao sindicato de Santos. Parabéns”, disse Carvalho. De acordo com o sindicato, a paralisação foi oficialmente encerrada por volta de 18h30, quando as operações foram liberadas. “Juntos sempre seremos mais fortes”, diz a nota divulgada nas redes sociais.

Protestos e bloqueios

A paralisação começou na segunda-feira (13), com um protesto realizado por caminhoneiros na descida do viaduto da Alemoa, em Santos. Na ocasião, uma carreta chegou a ser atravessada na avenida para bloquear o acesso de veículos. De acordo com a Autoridade Portuária de Santos (APS), o bloqueio foi parcial e durou menos de uma hora, com os manifestantes permitindo a passagem quando solicitada. No segundo dia, o reflexo do protesto atingiu o trânsito, com filas de veículos comerciais e lentidão nas rodovias do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) em direção aos pátios reguladores.

Confusão e intervenção policial

Durante um protesto, um caminhoneiro levou um soco na cabeça de um policial militar e desabou no viaduto da Alemoa, em Santos. Conforme apurado pela TV Tribuna, afiliada da Globo, a confusão começou após um motorista furar a paralisação, o que gerou revolta entre os grevistas. Segundo a Polícia Militar, uma pedra foi atirada contra o veículo que seguia viagem. O ato motivou a intervenção dos agentes. O episódio ilustra as tensões que marcaram o movimento, que envolveu não apenas a categoria dos caminhoneiros, mas também autoridades portuárias e policiais.

A aprovação da MP do Frete representa um marco para o setor de transporte rodoviário de cargas, que há anos reivindica maior estabilidade e remuneração justa. A medida, que agora aguarda sanção presidencial, deve impactar diretamente a economia da Baixada Santista e de todo o Brasil, ao garantir um piso mínimo para o frete. O movimento dos caminhoneiros, embora encerrado, deixa um legado de mobilização e pressão política, evidenciando a força da categoria em momentos de negociação com o governo federal.

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