Pesquisa Quaest revela que 42% dos brasileiros apoiam Michelle Bolsonaro em desentendimento com Flávio Bolsonaro; episódio expõe fragilidade na campanha do senador

Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) mostra que 42% dos entrevistados tendem a concordar mais com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) no desentendimento com o enteado, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Outros 18% concordam mais com Flávio. O levantamento, encomendado pelo Banco Genial, ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07181/2026.

Os números revelam um cenário desfavorável ao senador dentro da própria base aliada. Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, o episódio expõe uma fragilidade na campanha de Flávio entre eleitores alinhados à direita. “Os vídeos divulgados parecem ter provocado algum dano dentro da base potencial de Flávio, já que 35% da direita e 20% do bolsonarismo acham que Michelle acertou ao divulgá-los. O desgaste eleitoral parece visível quando 53% dos eleitores de direita afirmam que a participação direta de Michelle na campanha aumentaria as chances de vitória de Flávio”, afirmou.

Detalhamento dos dados

Questionados se já sabiam dos vídeos divulgados por Michelle, 49% responderam que sim. Outros 51% disseram ter tomado conhecimento naquele momento. Sobre a decisão de tornar público o desentendimento, 45% avaliaram que Michelle acertou, enquanto 38% disseram que ela errou. Outros 17% não souberam ou não quiseram responder.

Veja os números completos: Michelle Bolsonaro: 42%; Flávio Bolsonaro: 18%; Com os dois em parte: 3%; Não concorda com nenhum dos dois: 22%; Não sabe/não respondeu: 15%.

Relembre o caso

O atrito veio a público em 24 de junho, quando Michelle publicou vídeos nas redes sociais em que afirmou ter sido maltratada, desrespeitada e humilhada por Flávio durante uma conversa por telefone. A discussão envolveu divergências sobre alianças eleitorais do PL no Ceará. Michelle disse que os dois não se falavam desde o fim de 2025 e que entendeu, após a conversa, que Flávio não queria seu apoio à pré-candidatura ou que considerava esse apoio insignificante. Após a publicação, Flávio pediu desculpas e afirmou que não teve a intenção de ofendê-la. No dia seguinte, Michelle negou que houvesse “briga” ou “competição” e disse que os dois trabalhariam juntos.

Panorama político geral

O episódio ocorre em um momento de disputa acirrada pela sucessão presidencial, com Lula (PT) liderando as intenções de voto. Pesquisa Quaest anterior, também de julho, mostrou Lula com 45% contra 37% de Flávio Bolsonaro no segundo turno, indicando que o presidente venceria todos os adversários. A crise interna no bolsonarismo, exposta pelo desentendimento entre Michelle e Flávio, pode beneficiar outros candidatos de direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-ministro Ronaldo Caiado (União Brasil), que buscam consolidar suas bases. A fragilidade na campanha de Flávio, evidenciada pela pesquisa, reforça a necessidade de união no campo conservador para enfrentar o favoritismo de Lula.

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