Helicóptero de R$ 41,5 milhões de advogado alvo de operação contra fraude no ICMS foi liberado por Mendonça 15 dias antes da ação

O advogado Nelson Wilians, alvo de uma operação nesta quarta-feira (15) para desarticular um esquema de comercialização de créditos falsos de ICMS, havia recuperado há duas semanas o direito de usar um helicóptero de R$ 41,5 milhões apreendido na investigação de outro crime, a fraude do INSS. A liberação da aeronave foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apenas 15 dias antes da nova ação policial.

A operação desta quarta-feira, conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, mira advogados e consultorias em São Paulo e no Paraná, suspeitos de integrar um esquema bilionário de venda de créditos falsos de ICMS. O nome de Nelson Wilians figura entre os investigados, conforme apuração da Folha de S.Paulo.

O helicóptero, avaliado em R$ 41,5 milhões, havia sido apreendido em setembro de 2025, durante a operação que investigava desvios do INSS. Na ocasião, a PF também apreendeu uma pintura de Di Cavalcanti e uma réplica de carro de Ayrton Senna. A decisão de Mendonça, proferida em 1º de julho de 2026, devolveu a posse do veículo aéreo a Wilians, sob a justificativa de que a manutenção da apreensão não era mais necessária para as investigações em curso.

Panorama político e judicial

A liberação do helicóptero por um ministro do STF, em meio a investigações de grande porte, levanta questionamentos sobre a celeridade e a coerência das decisões judiciais em casos de alto valor. O episódio ocorre em um contexto de crescente escrutínio sobre a atuação do Judiciário em operações contra crimes financeiros e fiscais, especialmente quando envolvem figuras influentes do mundo jurídico e empresarial.

O esquema de créditos falsos de ICMS, alvo da operação desta quarta, é considerado um dos maiores já investigados no país, com potencial de causar prejuízos bilionários aos cofres estaduais. A participação de advogados e consultorias, conforme apontam as investigações, sugere uma sofisticação na estruturação das fraudes, que envolvem a criação de empresas de fachada e a manipulação de documentos fiscais.

O caso reforça a complexidade do combate à sonegação fiscal no Brasil, onde a atuação de profissionais especializados muitas vezes dificulta a identificação e a punição dos responsáveis. A decisão de Mendonça, ao liberar um bem de alto valor de um investigado, pode ser vista como um precedente que impacta a confiança no sistema de justiça, especialmente em um momento de intensificação das operações contra crimes econômicos.

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