Pré-candidatos à Presidência se manifestaram sobre o novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos, que impõe uma cobrança de 25% sobre a maioria dos produtos brasileiros vendidos ao país. A medida, anunciada pelo governo do presidente Donald Trump nesta quarta-feira (15), após investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, gerou reações de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que criticaram a decisão e apontaram riscos para a economia brasileira.
Os Estados Unidos acusam o Brasil de adotar práticas comerciais desleais em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, meio ambiente e combate à corrupção. O governo brasileiro contesta as alegações e afirma que apresentou evidências para rebater cada uma delas durante as negociações. A cobrança de 25% atingirá a maioria das importações brasileiras, com exceções para café, carne bovina, suco de laranja, determinados produtos energéticos e componentes aeronáuticos.
Reações dos pré-candidatos
Lula repudiou a medida e a classificou como um “marco lastimável” nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Em nota publicada nas redes sociais, afirmou que “segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil”. O presidente disse que o governo brasileiro contestou as acusações envolvendo o Pix, a regulação das plataformas digitais e o combate ao desmatamento. Anunciou que o Brasil iniciará os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade e levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). Também afirmou que o governo manterá, por meio do Plano Brasil Soberano, medidas de proteção aos setores atingidos pelo tarifaço. Na manifestação, Lula responsabilizou a família Bolsonaro pelo agravamento da disputa comercial: “É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”.
Flávio Bolsonaro culpou o governo brasileiro pela medida. Em sua manifestação, o senador atribuiu a responsabilidade ao Planalto, sem mencionar diretamente o governo Trump. Ronaldo Caiado alertou para o risco de quebra de setores da economia e criticou tanto o governo brasileiro quanto a decisão americana. Romeu Zema condenou a decisão americana e criticou a condução das negociações pelo Planalto, apontando falhas na estratégia diplomática do Brasil.
O panorama político geral mostra que o tarifaço ocorre em um contexto de tensões comerciais globais e de campanha eleitoral no Brasil, onde os pré-candidatos buscam capitalizar a insatisfação popular com os impactos econômicos. A medida, que afeta diretamente setores como agricultura, indústria e tecnologia, pode influenciar o debate sobre soberania nacional, política externa e proteção ao emprego nos próximos meses.
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