O governo brasileiro reagiu com duras críticas ao anúncio do novo tarifaço dos Estados Unidos, que impõe tarifas de 25% sobre importações de aço e alumínio. Em nota divulgada nesta quarta-feira, ministros do governo Lula contestaram as alegações usadas pelos EUA para justificar a medida, classificando-a como ‘injusta e descabida’. A decisão foi confirmada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), que apresentou uma extensa lista de itens isentos. A nova taxa entra em vigor em 22 de abril e deve impactar diretamente as exportações brasileiras, um dos principais fornecedores de aço para o mercado norte-americano.
A reação do governo brasileiro ocorre em meio a um cenário de tensão comercial global, com os EUA adotando medidas protecionistas que afetam diversos parceiros. O tarifaço foi justificado pelo USTR com base em alegações de que as importações de aço e alumínio ameaçam a segurança nacional dos Estados Unidos. No entanto, os ministros brasileiros rebateram os argumentos, destacando que o Brasil é um aliado histórico e que as exportações do setor não representam qualquer risco. A medida atinge não apenas o Brasil, mas também outros países como Canadá, México e União Europeia, que já anunciaram retaliações comerciais.
Impacto econômico e reações setoriais
O tarifaço de 25% sobre o aço e o alumínio deve gerar perdas significativas para a indústria brasileira. Dados do setor indicam que o Brasil exporta cerca de 3 milhões de toneladas de aço por ano para os EUA, o que representa aproximadamente 30% do total exportado pelo país. A medida pode levar a uma redução na produção nacional e ao aumento do desemprego no setor metalúrgico. Além disso, a decisão dos EUA ocorre em um momento de recuperação econômica pós-pandemia, com a indústria brasileira ainda enfrentando desafios como a alta do dólar e a inflação.
Entidades como o Instituto Aço Brasil e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) já se manifestaram contra a medida. Em nota, a CNI afirmou que a decisão dos EUA é ‘desproporcional e prejudicial ao comércio bilateral’. O governo brasileiro, por sua vez, estuda medidas de retaliação, incluindo a elevação de tarifas sobre produtos norte-americanos, como milho, soja e carne suína. A Organização Mundial do Comércio (OMC) também deve ser acionada para arbitrar a disputa.
Panorama político e diplomático
A crise comercial com os EUA ocorre em um momento de reconfiguração das relações internacionais do Brasil. O governo Lula tem buscado fortalecer laços com países do Sul Global, como China e Rússia, além de retomar o protagonismo em fóruns multilaterais. No entanto, a dependência econômica do mercado norte-americano para setores como o siderúrgico torna a negociação complexa. A decisão dos EUA também coloca pressão sobre o governo brasileiro para diversificar suas exportações e reduzir a vulnerabilidade a medidas protecionistas.
Diplomatas brasileiros já iniciaram conversas com representantes do USTR para tentar reverter a medida. No entanto, a expectativa é de que as negociações sejam difíceis, dado o histórico de embates comerciais entre os dois países. O Brasil já foi alvo de tarifas semelhantes durante o governo de Donald Trump, em 2018, quando os EUA impuseram taxas de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio. Na ocasião, o Brasil conseguiu uma cota de exportação, mas a nova medida elimina essa exceção.
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