O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, durante live nesta quinta-feira (16), que a defesa das mulheres é uma pauta da direita, argumentando que “quem gosta de criminoso é a esquerda”. A declaração ocorreu no lançamento do plano “Brasil por Elas”, conjunto de propostas voltadas ao público feminino, apresentado ao lado de Daniella Marques (Republicanos), colaboradora de sua pré-campanha e ex-presidente da Caixa Econômica Federal.
Entre as medidas anunciadas, Flávio Bolsonaro destacou o “Maior acesso à internet”, com previsão de parceria com operadoras telefônicas para “dar uma maior plataforma” a 70 milhões de mulheres, além da possibilidade de fornecer aparelhos tecnológicos para pessoas que “não têm condição”. Também foi proposta a “Central da Mulher”, plataforma física e digital para “oferecer às mulheres proteção inicial, acolhimento, qualificação e autonomia”. Segundo os políticos, a ferramenta incluiria um canal de denúncias de violência sem que o agressor saiba, além de vouchers para creches ou auxílio-aluguel — sem valor especificado.
Assistente de IA e saúde
Outra proposta é a “Maria”, assistente de inteligência artificial descrita como uma “amiga virtual” para auxiliar em situações cotidianas e extremas. Flávio exibiu um vídeo, também produzido por IA, com simulações de mulheres pedindo ajuda em casos de violência doméstica, agendamento de exames de saúde e busca por creches. O plano inclui ainda o “Saúde para Elas”, projeto para unificar prontuários da população em redes de saúde pública e privada.
Na área econômica, o senador afirmou que a Caixa Econômica Federal seria o “itaú da favela” e voltada ao empreendedorismo feminino, com presença em todos os lugares e possibilidade de renegociação de dívidas. A declaração busca reforçar a autonomia financeira das mulheres, segundo o pré-candidato.
Panorama político e tensões internas
O anúncio ocorre em meio a um esforço de Flávio Bolsonaro para melhorar sua relação com o eleitorado feminino, após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgar vídeos em suas redes sociais, em 24 de junho, nos quais afirma ter sido maltratada e humilhada por ele. Nos vídeos, Michelle expõe uma briga e diz que não se falam desde o fim de 2025. A discussão envolve a disputa pelo palanque do PL no Ceará, em que o partido tentou aliança com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) — apoio criticado por Michelle.
“Voltando ao Flávio. Telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone. E eu não tinha feito nada contra ele”, afirmou a ex-primeira-dama. “Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política.”
A crise expõe divisões internas no PL e no entorno bolsonarista, enquanto Flávio busca consolidar sua pré-candidatura presidencial. As propostas do “Brasil por Elas” tentam atrair um eleitorado historicamente mais resistente ao espectro político do senador, em um contexto de disputa por narrativas sobre direitos femininos entre direita e esquerda.
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